Vila Maria FM

SAÚDE: Os perigos da automedicação em tempos de pandemia

04/08/2020 Rádio Vila Maria FM Notícias

O período de pandemia de coronavírus acentua um hábito comum e cultural do brasileiro: o uso indiscriminado de medicamentos. A venda de medicamentos relacionados à Covid-19 aumentou significativamente no Brasil desde o início da pandemia, de acordo com pesquisa encomendada pelos conselhos de Farmácia, divulgada no final do mês de abril de 2020. Suplementos alimentares, antigripais, vitaminas e minerais, entre outros medicamentos, estão entre os mais procurados na busca para fortalecer a imunidade e prevenir a infecção pelo coronavírus, mesmo sem comprovação científica.

Entre os medicamentos que tiveram aumento nas vendas, conforme a pesquisa, estão Hidroxicloroquina, Paracetamol, Dipirona Sódica, Colecalciferol (Vitamina D) e Ácido Ascórbico (Vitamina C). “É importante ressaltar que não temos nada definido cientificamente em relação a medicamentos no combate à Covid-19. Há inúmeros estudos em andamento, mas não é possível afirmar que determinada substância previne contra o vírus. Neste momento de pandemia, com todas as incertezas, a população tem buscado alternativas para enfrentar este período e, muitas pessoas, acabam recorrendo ao uso indiscriminado de medicamentos, colocando a saúde em risco”, alerta a farmacêutica do Centro de Tratamento do Câncer (CTCAN), Michelli Kottwitz Schaefer.

Automedicação: um problema de saúde pública

Outra pesquisa, realizada antes da pandemia, em 2019, também pelo CFF, por meio do Instituto Datafolha, apontou que 77% dos brasileiros têm o hábito de se automedicar. Entre os medicamentos mais usados estão os analgésicos e antitérmicos, seguido dos antibióticos e relaxantes musculares.  

A automedicação é um risco e pode causar graves problemas à saúde. “No Brasil a automedicação é bastante comum, é cultural entre os brasileiros. Mas ela pode desencadear problemas pelo uso indevido do medicamento ou pelo uso do medicamento sem uma real necessidade, como intoxicação grave, pode agravar doenças, causar reações adversas, atrasar o diagnóstico de determinadas doenças, entre outros riscos à saúde”, destaca a farmacêutica do CTCAN.

Intoxicação hospitalar

De acordo com o estudo “Caracterização do perfil das intoxicações medicamentosas por automedicação no Brasil”, entre os anos de 2010 e 2017, foram notificados mais de 560 mil casos de intoxicação, sendo quase 300 mil por medicamento como agente tóxico mais frequente, correspondendo a 52,8% do total das ocorrências. “Temos que ter muito cuidado no uso dos medicamentos, porque eles provocam efeitos colaterais e intoxicações graves. Não se pode sair tomando medicamento por qualquer motivo sem se certificar do que está ocorrendo com o nosso organismo. As internações hospitalares por intoxicação ocorrem principalmente em razão do uso indevido dos medicamentos”, observa Michelli.

Medicamento certo, na dose correta e na hora certa

É importante que a população faça o uso racional de medicamentos, que ocorre quando os pacientes têm acesso ao medicamento de que necessitam, nas doses corretas e pelo período de tempo adequado ao tratamento. “O uso racional é quando utilizamos o medicamento para tratar a minha doença, na dose correta e no tempo determinado, com a orientação de um médico ou farmacêutico. O uso do medicamento tem que ser feito de forma segura. Em caso de dúvida, procure a orientação de um profissional”, salienta a farmacêutica do CTCAN.

Fonte: Assessoria de Imprensa CTCAN

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