As importações de Mounjaro para o Brasil, vindas dos EUA e da Alemanha, atingiram o recorde histórico de US$ 350 milhões em um único mês. O salto representa mais que o dobro do volume registrado no mês anterior.
Para se ter uma ideia, as importações vindas da Dinamarca — sede da Novo Nordisk, fabricante do Ozempic — caíram, registrando apenas US$ 27 milhões no mesmo período.
O Brasil é o 2º país que mais pesquisa sobre esses medicamentos no mundo, atrás apenas dos EUA. Além disso, cerca de 15 milhões de brasileiros já usam o medicamento, enquanto 31% da população brasileira possui diagnóstico de obesidade.
Demanda que transborda
A distância entre a demanda e a oferta regulada explica parte do que a Operação Heavy Pen encontrou. Com preços elevados e estoques frequentemente limitados nas farmácias, o mercado informal se tornou um atalho — e um risco sanitário.
A diferença de preços com países vizinhos agrava o problema. No Paraguai, segundo estimativas do UBS, uma dose de Mounjaro de 2,5 mg custa cerca de R$ 294, contra mais de R$ 1.400 no Brasil. A arbitragem incentiva compras em viagem, importação informal e revenda.
O fenômeno não se limita às canetas. As autoridades encontraram mais de 17 mil frascos de tirzepatida manipulados sem autorização, centenas de gramas do insumo farmacêutico ativo da substância e até propofol e fentanil em um dos endereços investigados — um consultório odontológico que funcionava dentro de uma academia, no Pará.
