Se você pensava que os atritos recentes entre Brasil e Estados Unidos ficariam apenas na esfera política, é hora de repensar. Uma decisão dos Estados Unidos pode não só pesar no seu bolso, como também atingir a sua saúde.
A decisão de Donald Trump de aplicar taxas de 50% sobre exportações brasileiras para os EUA, a partir de 1º de agosto, acendeu o alerta no setor de saúde. No entanto, o principal temor do setor não é das taxas americanas, e sim se (e como) o governo brasileiro irá retaliar.
Um raio-x econômico
No setor de saúde, a balança comercial nacional ainda é deficitária. Em outras palavras, o Brasil importa muito mais do que exporta. E adivinhe de quem mais importamos. Sim, dos Estados Unidos.
O Brasil exporta cerca R$ 1 bilhão em medicamentos ao ano para os Estados Unidos — e importa cerca de R$ 13,5 bilhões.
Quando falamos sobre dispositivos tecnológicos para hospitais, a conta fica ainda mais cara. Aqui vão alguns dados da Associação Brasileira de Indústria e Tecnologia para Saúde (ABIMED):
- Brasil exporta cerca de R$ 5,2 bilhões;
- Brasil importa cerca de R$ 28 bilhões;
As consequências
O aumento das tarifas pode encarecer a importação de medicamentos e dispositivos médicos, elevando custos para hospitais, planos de saúde e para o SUS.
Isso pode gerar dificuldade de acesso a tratamentos essenciais, especialmente para doenças complexas que dependem de insumos importados. Portanto, a longo prazo, a população pode enfrentar atrasos em terapias e maior pressão sobre o sistema de saúde público.
Duas visões opostas
Por um lado, muitos temem que retaliar os Estados Unidos com novas taxas poderia levar o sistema de saúde a um colapso. Inclusive, o vice-presidente Geraldo Alckmin defendeu que o país negocie para reverter as taxações.
Por outro lado, há quem veja nesse conflito a oportunidade de fortalecer o Complexo Econômico-Industrial da Saúde brasileiro. Também se fala em ampliar parcerias estratégicas com países como a China, o que reduziria a dependência do Brasil em relação aos Estados Unidos.
