A Psicopedagoga Clínica e Institucional, Jossandra Belusso, falou durante entrevista na Rádio Vila Maria FM, sobre o transtorno que acomete as crianças e é chamado de Dislalia.
Segundo ele, a Dislalia é um distúrbio que acomete a fala, caracterizado pela dificuldade em articular as palavras. A pessoa portadora de Dislalia, troca as palavras por outras similares na pronúncia, fala erroneamente, omitindo ou trocando as letras.
As manifestações clínicas da Dislalia consistem em omissão, substituição ou deformação dos fonemas. Esse é um distúrbio fonoaudiológico, pois está inteiramente ligado a fala, mas a psicopedagogia trabalha em conjunto com esse profissional, intervindo nas dificuldades de aprendizagem geradas por esse distúrbio.
Pesquisadores relatam que crianças que chupam chupeta e mamam mamadeira por um tempo prolongado, bem como, as que chupam o dedo podem apresentar um quadro de Dislalia.
Essas crianças passam a apresentar flacidez muscular e postura indevida da língua, o que pode resultar nesse distúrbio.
Outras causas são: línguas hipotônicas (flácidas), podendo ainda apresentar alterações na arcada dentária, ou então, falhas na pronúncia de determinados fonemas em consequência da postura e respiração dificultada.
Esse distúrbio na fala pode ser facilmente entendida, a partir do personagem da Turma da Mônica, o CEBOLINHA, criado pelo Maurício de Sousa, conhecido não só por roubar o coelhinho da Mônica, ele é uma bela representação da Dislalia, onde em suas falas troca a letra “R” por “L”.
A Dislalia pode ser subdivida em alguns tipos. Os mais comuns na realidade educacional são:
– Dislalia Funcional – ocorre substituição ou eliminação de letras durante a fala, a criança não pronuncia o som, acrescenta letras na palavra ou distorce o som. Por exemplo – ao falar tomei coca cola, criança falaria OMEI AO OLA;
– Dislalia Evolutiva – própria do desenvolvimento evolutivo da criança. Se considera dentro do normal, pois a criança está em processo de aquisição da linguagem e os erros serão corrigidos progressivamente;
– Dislalia Audiógena – a alteração na articulação de fonemas ocorre por causa de deficiência auditiva;
– Dislalia Orgânica – faz com que a criança tenha dificuldades para articular determinados fonemas por problemas orgânicos. Quando apresentam alterações nos neurônios cerebrais, ou alguma má formação ou anomalias nos órgãos da fala;
O profissional mais indicado para avaliar qual tipo de Dislalia acomete a criança é um fonoaudiólogo. O trabalho da psicopedagoga é de intervir buscando sanar e amenizar os déficits de aprendizagem inconvenientes da Dislalia em um trabalho interdisciplinar junto a outros profissionais, ou seja professores, fonoaudióloga, psicóloga, dentista, médico. Todos os distúrbios de fala de ordem articulatória possuem tratamento.
A Dislalia pode ser causada por um ambiente familiar inadequado com baixos estímulos a fala, imitação de outras pessoas, hereditariedade, dificuldades auditivas, atraso no desenvolvimento motor e atraso na maturação neurológica.
A maioria dos casos de dislalia ocorre na primeira infância, quando a criança está aprendendo a falar.
É muito normal que as primeiras falas do bebê, apresentem erros de pronúncia. O bebê dirá aua, quando pedir água, ou peta, quando quiser chupeta. Os bebês simplificarão os sons para facilitarem a pronúncia. No entanto, à medida que o bebê adquira mais habilidades na articulação, sua pronúncia será mais clara.
Quando uma criança menor de 4 anos apresenta erros na pronúncia, é considerado como normal, uma etapa no desenvolvimento da linguagem infantil. Nessa etapa, a sua fala está em fase de maturação. No entanto, se os erros na fala se mantém depois dos 4 anos, deve-se consultar um especialista em audição e linguagem, ou seja um fonoaudiólogo.
Uma recomendação fundamental para impedir o desenvolvimento da Dislalia é para que os pais e familiares do dislálico não fiquem achando engraçadinho quando a criança pronuncia palavras de maneira errada, como Tota-Tola, ao invés de Coca-Cola.
É de extrema importância que os pais fiquem atentos as trocas de letras, bem como a articulação das palavras ou a má pronunciação. Os pais ou responsáveis devem acompanhar essa criança e estimular corretamente para não ter maiores agravamentos em sua aquisição da fala e escrita.
Dicas para evitar a Dislalia:
– É importante não estimular, nem incentivar a criança no momento em que ela troca as palavras como “biito” (bonito), “tebisão” (televisão). Os pais podem repetir falando corretamente;
– Sempre falar corretamente diante da criança, para que ela cresça sabendo e se habituando ao correto;
– A criança que usa chupeta, mamadeira ou chupe dedo por tempo prolongado pode acabar estimulando esse distúrbio, pois ocorre a flacidez muscular e postura indevida da língua. Então é preciso mediar essas situações também;
– A psicopedagogia vem trabalhar de forma interdisciplinar a Dislalia, buscando estimular e desenvolver através de rimas, trava-línguas, jogos que estimulam as habilidades de consciência fonológica, exercícios com sons, estimulação da audição, estimulando a criança através de exercícios orais e visuais, orientação a professores e aos pais.
A dislalia tem tratamento, e, para isso, uma equipe interdisciplinar de profissionais baseado em psicopedagogo, fonoaudiólogo, psicólogo entre outros, tem muita importância para o resultado positivo.
