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RURAL: Plano Safra 2025/2026 – Taxa de juro e inadimplência causam inquietação

02/07/2025 Rádio Vila Maria FM Notícias

O Plano Safra Empresarial 2025/2026, anunciado nesta terça-feira, 1º, foi recebido com apreensão e críticas por representantes do agro gaúcho. Os juros para os financiamentos, considerados altos, o alto volume de recursos livres e a inadimplência de produtores do Estado constituem as principais preocupações.

Para o presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Gedeão Pereira, as medidas planejadas pelo governo tornam “muito mais grave” o cenário enfrentado por agropecuaristas do RS.

“O aumento das taxas de juros, que o governo tentou explicar muito, vemos como uma grande dificuldade para o setor, pois aumenta custos, além de ter diminuído os recursos controlados. O governo poderia ter anunciado R$ 1 trilhão, não teria problema algum, pois é tudo recurso livre. É juro de 14% e é isso aí”, disse Gedeão.

O economista-chefe da Farsul, Antônio Da Luz, também fez uma análise. Ao comparar os valores nominais da política pública do ciclo anterior, de R$ 508,59 bilhões, com a nova edição, de R$ 516,2 bilhões, afirmou que a diferença entre ambos, de R$ 8 bilhões, não será suficiente para cobrir nem os custos de produção.

Da Luz também chamou a atenção para o Plano Safra Empresarial, apontando que do recursos equalizados, com subvenção do Tesouro, são R$ 113,8 bilhões. “Dos R$ 516,2 bilhões o governo controla 22%”, pontuou, afirmando que o restante é negociado entre o produtor rural e as instituições financeiras conforme juros de mercado.

“Os outros 78% são recursos livres que sequer deveriam ser anunciados. O governo deveria divulgar apenas aquele que ele controla, equaliza, porque quando ocorre problema ele não quer nem saber”, criticou o economista-chefe da Farsul, acrescentando como negativo a falta de uma política assertiva sobre o seguro rural no país. “Quem não tem seguro rural acaba tendo que discutir renegociação de dívida”, disse.

O deputado federal Alceu Moreira (MDB-RS), integrante da Frente Parlamentar de Apoio à Agropecuária, somou a preocupação com o endividamento a outras críticas. “É um Plano Safra que se anuncia com espetacularização de volume (financeiro), mas a maioria vem de recursos livres dos bancos. A participação do governo é quase nenhuma, a não ser na agricultura familiar. Não precisava anunciar o Plano Safra. É recurso dos bancos”, disse o emedebista.

Moreira reclamou sobre a falta de planejamento para o seguro rural. “Não se tem notícia do seguro, o que é extremamente prejudicial para o Rio Grande do Sul. Somos uma área com alto risco, o seguro para nós é que viabiliza a produção. Com a taxa Selic nessa altura, com o descontrole fiscal que nós temos, com os preços de commodities do jeito que estão, teremos extrema dificuldade para fazer o plantio”, apontou o deputado.

“Isso sem falar nos nossos produtores, endividados, que não teriam acesso nem a esse recurso”, acrescentou.

O presidente da Organização das Cooperativas do Estado do Rio Grande do Sul (Ocergs), Darci Hartmann, salientou que muitos agropecuaristas do RS não terão capacidade financeira para acessar os créditos previstos. Hartmann citou o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS), Carlos Joel da Silva, ao manifestar sua avaliação.

Na segunda-feira, 30, avaliando o Plano Safra da Agricultura Familiar, Joel ressaltou que, sem renegociação das dívidas acumuladas nos últimos anos, os produtores gaúchos ficarão impossibilitados de buscar recursos por meio do Plano Safra 2025/2026.

“Não adianta crédito rural, como o presidente Joel falou, se você não tem um produtor adimplente. Na agricultura empresarial, acho que esse percentual (de inadimplência) é maior. Precisamos resolver esse problema.”, afirmou Hartmann.

Para o senador Luis Carlos Heinze (PP-RS), autor de projeto de lei para a securitização das dívidas do agro gaúcho, os R$ 516 bilhões previstos para o Safra são insuficientes e a alta dos juros agrava a inadimplência dos produtores. “Como se recuperar das dívidas com juros de 14%?”, questionou. “Com pessoal sem crédito, o que adianta ter recurso mesmo que seja com o valor mais alto?”

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