Pesquisa divulgada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) e pelo SEST/SENAT apontou piora nas condições das rodovias brasileiras no último ano. Conforme o estudo, apresentado na terça-feira, dia 22 de outubro, o estado geral da malha rodoviária registra problemas em 59% da extensão dos trechos avaliados e são necessários R$ 38,6 bilhões para reconstrução e restauração das rodovias em todo o País.
No Rio Grande do Sul, o cenário se repete, com a maioria das rodovias avaliadas (59,3%) como regular, ruim e péssima. Para mudar essa situação e evitar reflexos nos custos do transporte, segundo a CNT, são necessários R$ 4,89 bilhões em serviços de restauração e reconstrução, consideradas ações emergenciais, dos 8,9 mil quilômetros da malha gaúcha.
Além disso, para manutenção de 3,8 mil quilômetros, é preciso investir mais R$ 1,16 bilhão, totalizando R$ 6 bilhões apenas em obras de recuperação.
Duas rodovias gaúchas se destacaram negativamente na pesquisa: a ERS 466, no km 7, em Canela, e a ERS-640, no km 65, em Rosário do Sul, ambos os trechos em péssimo estado de conservação.
Três gaúchas entre as piores do País
A pesquisa apontou ainda que o RS figura na lista das 10 piores ligações rodoviárias: na BR 158 (Santana do Livramento) e nas ERSs 241 e 640 (São Vicente do Sul). O levantamento – que avaliou as condições de toda a malha federal pavimentada e dos principais trechos estaduais pavimentados – revela que o número de pontos críticos ao longo dos mais de 108 mil quilômetros pesquisados no país aumentou 75,6%, passando de 454, em 2018, para 797, em 2019.
A pesquisa mostra que 17 rodovias, entre as quais as ERSs 020 e 030, estradas usadas para conectar a Capital ao litoral Norte, foram avaliadas como ruins, e outras 29 como regulares. Conforme o levantamento, a malha rodoviária gaúcha soma 78 pontos críticos, quase 10% do total do país.
RS em terceiro no total de pontos críticos
O RS é o terceiro estado com maior número de pontos críticos, ficando atrás somente do Maranhão, com 213, e do Ceará, com 106. Dos 639 trechos com crateras grandes no país, 69 estão na malha gaúcha.
Coordenador de Estatística e Pesquisa da CNT, Jefferson Cristiano explica que os pesquisadores observaram piora no estado da maioria das rodovias do país. “A gente percebeu aumento muito grande de buracos grandes. Não é algo que aconteceu agora, o buraco grande é algo que já vem de um longo período de baixo investimento. A partir do momento que não teve intervenção no momento certo, o resultado é a formação de um buraco grande”, destacou.
Cristiano alertou que no ano passado o levantamento apontou a necessidade de investimentos de R$ 2,4 bilhões nas rodovias gaúchas – metade do que sugere a pesquisa atual. “Como não foram feitos investimentos necessários, a tendência é piorar e aumentar o número de pontos críticos”, frisou.
Malha estadual em situação pior
A pesquisa revela que 52% da malha rodoviária federal gaúcha – de um total de 5,7 mil quilômetros – é avaliada como ótima ou boa. Em contrapartida, dos 3 mil quilômetros de rodovias estaduais, 81% foram considerados péssimos, ruins ou regulares.
Conforme a pesquisa, o custo total dos acidentes em rodovias federais no Rio Grande do Sul, em 2018, chegou a R$ 581 milhões. O levantamento também mostra que 49% do pavimento avaliado é considerado péssimo, ruim ou regular. A pesquisa revela que a sinalização é considerada péssima, ruim ou regular em 52,5% da extensão avaliada.
De acordo com o levantamento, as inadequações do pavimento resultaram em uma elevação do custo operacional do transporte em torno de 28,5%, em média, no País, com destaque para a região Norte, que registrou aumento de 38,5%.
A Secretaria Estadual de Logística e Transportes ainda não se manifestou sobre a pesquisa.
Fonte: Correio do Povo
