Seja muito bem-vindo à Itália — mas só se for para ficar. O país europeu vive um vaivém demográfico sem precedentes. Em 2023 e 2024, 760 mil estrangeiros se mudaram para lá, maior número desde 2014. Ao mesmo tempo, 270 mil italianos foram embora, no maior êxodo da década.
Chegam trabalhadores de Bangladesh, Tunísia, Egito e Ucrânia para setores com falta de mão de obra — como agricultura, hotelaria, construção e serviços domésticos.
Saem jovens com ensino superior rumo a países como Alemanha, Reino Unido e Suíça, onde os salários — ao contrário da Itália — não estagnaram desde 1990.
Mas, afinal, o que está acontecendo?
O governo Meloni tenta conter o impacto do envelhecimento populacional— 25% dos italianos têm mais de 65 anos — liberando quase 1 milhão de vistos de trabalho até 2028.
Só que o “reforço” imigrante não compensa a perda dos formados. Só entre 2019 e 2023, 192 mil italianos de 25 a 34 anos foram embora, com retorno de apenas 73 mil.
A Itália deve perder 5 milhões de pessoas em idade ativa até 2040. Enquanto isso, o país tenta usar a política migratória para adiar a conta — mesmo que ela já esteja chegando.
