Vila Maria FM

Mapa interdita Cervejaria

13/01/2020 Rádio Vila Maria FM Notícias

O MAPA – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento emitiu nota oficial sobre medida cautelar, que culminou no fechamento da Cervejaria Backer, fabricante da cerveja Belorizontina. Segundo a nota, a iniciativa foi diante do risco iminente á saúde pública. Na mesma oportunidade, foram determinadas ações de fiscalização para a apreensão dos produtos que ainda se encontram no mercado.

Segundo a Polícia Civil do Estado de Minas Gerais, por meio de informação preliminar de 9 de janeiro de 2020, foi identificada a substância “dietilenoglicol” em amostras de cerveja pilsen, marca Belorizontina, lotes L1 1348 e L2 1348.

Auditores fiscais federais agropecuários – nas especialidades farmacêutica, química e de engenharia agronômica – prosseguem apurando as circunstâncias em que ocorreram a contaminação verificada pelas autoridades policiais nos lotes indicados, a fim de dar pleno esclarecimento à população dos fatos.

Análises laboratoriais seguem sendo realizadas nas amostras coletadas pela equipe de fiscalização das Superintendências Federais de Agricultura. Além disso, mais de 16 mil litros de cervejas foram apreendidos cautelarmente. Novas informações serão prestadas após os resultados das análises laboratoriais feitas pelo Mapa.

ENTENDA SOBRE O CASO

O uso de uma substância chamada dietilenoglicol (DEG) no processo de fabricação de cerveja vem sendo investigado pela Polícia Civil de Minas Gerais. Um laudo confirmou a presença da substância em duas garrafas de cerveja encontradas em casas de pacientes internados com sintomas de uma síndrome desconhecida.

A polícia informou que o laudo ainda é preliminar e que não há como confirmar a responsabilidade da empresa fabricante no caso. Ele foi realizado pelo Instituto de Criminalística da Polícia Civil.

Sete pessoas estão internadas com sintomas de intoxicação em hospitais de Belo Horizonte e de Nova Lima, região metropolitana. Uma morreu.

Abaixo entenda o que é o dietilenoglicol, usado em processos industriais, mas raro em cervejarias, segundo um dirigente do setor.

O que é o dietilenoglicol?

O dietilenoglicol (DEG) é uma substância de cor clara, viscosa, não tem cheiro e tem um gosto adocicado. A fórmula química é C4H10O3. Ela é anticongelante e de uso bastante comum na indústria.

A ingestão pode provocar intoxicação com sintomas como insuficiência renal e problemas neurológicos.

Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a substância é um solvente orgânico altamente tóxico que causa insuficiência renal e hepática, podendo inclusive levar a morte quando ingerido.

A intoxicação por DEG pode ocorrer quando ele é usado de forma inapropriada em preparações químicas, substituindo outros produtos não tóxicos para o ser humano. Desde 1937, foram registradas dezenas de casos de intoxicação em diferentes países.

Quais as utilizações do dietilenoglicol?

É muito usado como solvente para produtos químicos e drogas que não dissolvem em água.

Na fabricação de cerveja, pode ser usado no processo de resfriamento da bebida.

Pode ser usado na indústria farmacêutica.

É frequente na produção de cosméticos, lubrificantes, combustíveis para aquecimento e plastificantes.

É comum o uso da substância na produção de cerveja?

Segundo Carlo Lapolli, presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), o uso do dietilenoglicol é muito raro em cervejarias. “Normalmente, as cervejarias usam álcool puro, sem nenhum tipo de conservante ou agente químico, misturado com água, numa proporção de 30%, para refrigeração dos tanques”, explica.

Além de dizer que é raro o uso na indústria cervejeira, Lapolli afirma que o nível de toxicidade da substância não é alto. “Precisaria ser consumida uma quantidade muito grande para que haja o efeito visto em Minas Gerais. É preciso aprofundar a investigação e ver se as causas são mesmo essas”, comenta.

A refrigeração dos tanques de cerveja é feita por meio de um circuito fechado. O álcool com água gelada vai passando por tubos chamados de “serpentina” ao redor do tanque de cerveja. “Ela não tem contato direto com a cerveja”, afirma.

Lapolli acrescenta que a substância mais utilizada na produção de cerveja é o propilenoglicol, que pode ser consumido por seres humanos.

“Também é usado misturado com água. Para a cerveja chegar perto da temperatura zero, precisamos que a serpentina esteja a -5ºC ou -6ºC. Com a água pura, ela congelaria, por isso colocamos algum tipo de aditivo, um anticongelante”, conta.

Também o o diretor da Abracerva, vice-presidente do Sindicato das Indústrias de Cerveja e Bebidas de Minas Gerais (Sindibebidas) e mestre-cervejeiro, Marco Falcone, diz que o dietilenoglicol não costuma ser usado na indústria cervejeira e que o caso de Belo Horizonte lhe causa grande estranhamento. ““As fábricas usam o polipropilenoglicol ou o etanol, substâncias alimentícias, que não provocam contaminação. E ainda são usadas externamente”, afirma.

A empresa envolvida no caso de Belo Horizonte, a Backer, disse em nota que a substância encontrada nas garrafas investigadas não faz parte do seu processo de produção. Os lotes envolvidos serão recolhidos do mercado, por precaução. Na quarta-feira (8), a empresa negou que a bebida possa ter relação com os sintomas apresentados pelos pacientes internados.

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