O Rio Grande do Sul é o segundo estado do Brasil com maior incidência de casos de câncer de mama na população feminina. As gaúchas superam a média nacional, com 81 casos para cada 100 mil habitantes, a maioria deles com medicamentos para o tratamento oferecidos através do SUS.
Além dos efeitos na saúde das pacientes, o câncer de mama afeta também a autoestima de mulheres diagnosticadas com a doença, ocasionando quadros de depressão entre as pacientes. Por isso, é comum a interação entre os medicamentos utilizados no tratamento do câncer e outros para a diminuição de sintomas paralelos ou tratamento da depressão.
Um estudo realizado pelo Programa de Residência Multiprofissional em Farmácia do Hospital da Cidade revela que a interação entre esses medicamentos pode prejudicar o tratamento do câncer de mama. O trabalho foi apresentado durante o 2º Congresso Multidisciplinar em Oncologia, promovido pelo Instituto do Câncer do Hospital Mãe de Deus (ICMD), onde recebeu principal premiação na área de Farmácia.
A farmacêutica, residente do Programa de Residência Multiprofissional HC/UPF/SMS , Kamila Trentin, explica os resultados da pesquisa, que teve início em seu Trabalho de Conclusão de Curso. Segundo ela, a interação de medicamentos como a fluoxetina (utilizada no tratamento da depressão) diminui a eficácia do Tamoxifeno, largamente utilizado no tratamento contra o câncer, essa interação ocorreu em 34% dos indivíduos que participaram da pesquisa.
Além de Kamila, participaram da pesquisa as farmacêuticas residentes Fernanda Zanchet e Roberta Pasinato, orientadas pelos preceptores do Programa de Residência Multiprofissional HC/UPF/SMS, Mateus Tatsch de Mello e Mariane Roman. A coleta de dados ocorreu entre os meses de maio e junho de 2013, e os resultados foram apresentados em Porto Alegre.
As pesquisas clínicas na área da saúde são componentes importantes no sucesso do tratamento. O estudo das interações medicamentosas sempre foi algo muito pertinente no dia a dia dos farmacêuticos hospitalares e muitas dessas interações são desconhecidas pelos profissionais prescritores, principalmente prescritores não ligados à oncologia. Com a realização desse trabalho foi possível alertar os colegas farmacêuticos e outros prescritores sobre essa importante interação, enfatiza o orientador do projeto, Mateus Tatsch de Mello.
Atendimento Multidisciplinar em Sáude
A integração dos profissionais envolvidos no tratamento dos pacientes é uma tendência mundial, já praticada nos grandes centros de saúde. Em Passo Fundo, o Programa de Residência Multiprofissional do Hospital da Cidade, desenvolvido em parceria com a Universidade de Passo Fundo e Secretaria Municipal de Saúde são exemplo desta prática. Profissionais das áreas de Fisioterapia, Psicologia, Enfermagem, Odontologia e Farmácia atuam conjuntamente no tratamento do paciente. Toda a pesquisa é importante para o crescimento profissional, mas quando ela gera resultados de impacto como essa gerou, torna-se ainda mais essencial. Sabendo que os transtornos depressivos podem estar presentes nas pacientes com câncer de mama em tratamento com Tamoxifeno, o auxílio do farmacêutico na escolha da terapia antidepressiva se faz essencial para evitar interações que podem até resultar na recidiva do tumor, lembra Mateus.
Foram selecionados para apresentação mais de 150 trabalhos de todo o Brasil para o evento, que aconteceu em Porto Alegre, entre eles 12 pesquisas e relatos de caso produzidas através do programa.
Durante os dois dias de Congresso estiveram em pauta questões sobre avanços em pesquisas clínicas em oncologia, tratamento nutricional do câncer, odontologia oncológica, radioterapia e fisioterapia, entre outros temas.
O Farmacêutico, Mateus Tatsch de Mello, concedeu entrevista á Rádio Vila Maria FM, falando sobre o assunto.
Informação: Assessoria de Imprensa/Hospital da Cidade
