O programa jornalístico aborda diariamente assuntos de interesse da comunidade mariense e da região. Nesta manhã de segunda-feira, a Rádio Vila Maria FM, ouviu a Psicopedagoga Clínica e Institucional, Jossandra Belusso. Ela falou sobre déficit de atenção/hiperatividade, ou seja o transtorno de TDAH.
Segundo ela, as queixas mais frequentes que caracterizam os portadores do transtorno, em casa, são as seguintes: a criança não para quieta nem para comer; desde o instante em que se levanta até a hora em que vai dormir, anda de um lado para o outro, pula, sobe nos móveis, derruba as cadeiras que encontra pelo caminho, corre pela casa; seu quarto é um verdadeiro caos; espalha roupas e objetos, mesmo aqueles que não está usando no momento, revira as gavetas, não fecha as portas dos armários.
Na escola: sua agitação incomoda os colegas e prejudica os relacionamentos; a desatenção e a inquietude interferem também no rendimento escolar; não termina as lições, comete erros grosseiros nos exercícios e redações, esquece conteúdos que dominava perfeitamente um dia antes, rasga a folha da prova de tantas vezes que apaga as respostas.
Jossandra explica que esse transtorno acomete as crianças, mas pode prosseguir pela vida adulta, comprometendo o desempenho profissional, familiar e afetivo dessas pessoas. Para fazer o diagnóstico de déficit de atenção e hiperatividade, os sintomas precisam manifestar-se em dois ambientes distintos. Em geral, eles ocorrem em casa e na escola.
A mãe, que geralmente acompanha a criança nos deveres de casa, percebe a agitação e a demora para fazer as tarefas. A professora nota o mesmo comportamento na escola. Por isso, pais e professores são bons informantes para ajudar o médico que observa a criança no consultório. A Psicopegagoga comenta também que segundo pesquisas, a criança já nasce com a doença, tanto que para fazer o diagnóstico em outras fases da vida é preciso investigar como foi a evolução do transtorno na infância. O TDAH jamais se inicia quando o indivíduo é adulto. Ao contrário. Em geral, evolui com melhora dos sintomas, tanto que até alguns anos atrás acreditava-se que desaparecia com o crescimento.
Hoje se sabe que, apesar de diminuírem o número e a intensidade dos sintomas nos adolescentes e adultos, parte das crianças continua com o problema por toda a vida e apresenta as dificuldades decorrentes da doença. Para Jossandra, é importante lembrar que, quando se fala em hiperatividade, se refere a dois sintomas agregados: a hiperatividade propriamente dita e a impulsividade.
Isso quer dizer, que basicamente na criança, a hiperatividade está ligada à motricidade, aos movimentos. É a criança agitada, que não para quieta. Já a impulsividade se caracteriza pelo agir sem pensar. Crianças hiperativas se machucam mais, sofrem mais acidentes, porque são intempestivas. Não tem paciência nenhuma, interrompem quem está falando, intrometem-se na conversa alheia.
Para efeito de diagnóstico, que é sempre clínico, ou seja, deve ser sempre realizado por um Médico, os sintomas devem manifestar-se na infância, antes dos sete anos, pelo menos em dois ambientes diferentes. Esses sintomas devem ser observados no mínimo durante seis meses. Via de regra, o problema hoje em dia é percebido nos primeiros anos de escola, apesar de estar presente desde o nascimento.
O tratamento consiste num diagnóstico médico, o qual fará prescrição de medicamentos ou não, complementando com uma equipe multidisciplinar, com Psicopedagoga, Psicóloga, Professores particulares ou aula de reforço podem intervir também.
CONFIRA ALGUMAS RECOMENDAÇÕES:
É importante admitir que:
* as falhas de atenção e a hiperatividade de algumas crianças podem não ser características do temperamento e personalidade, nem de má educação, mas sintomas de uma doença que pode ser controlada;
* não é má vontade, mas os portadores do transtorno realmente tem dificuldades para organizar as atividades do dia a dia, manter horários e planejar o futuro;
* A Psicopedagoga Clínica e Institucional, nesses casos, desenvolve algumas técnicas para compensar as dificuldades próprias da TDAH, orientando os pais, buscando intervir para que a criança ou adolescente tenha disciplina, organização, desenvolva atenção, amenize impulsividade, progrida e evolua na escola, sempre mantendo a família e os professores informados com proceder;
* É preciso lembrar sempre que cada criança ou jovem traz uma história de vida em um determinado tempo e espaço;
* Desta forma é de extrema importância o olhar e participação dos pais, educadores e escola, frente as dificuldades geradas pelo transtorno de TDAH.
*O TDAH é real e faz parte do contexto educacional. Então cabe aos profissionais (Neurologistas, Psicólogos, Psicopedagogos e Psicanalistas) descobrir novos atalhos em busca de outros caminhos que beneficiem os portadores desse transtorno;
Para finalizar, a Psicopedagoga Clínica e Institucional, Jossandra Belusso, sugeriu a leitura do livro Cabeça nas Nuvens, da autora Jane Patrícia Haddad. De acordo com ela, o livro é de fácil entendimento e traz várias dicas, orientando pais e professores sobre o transtorno de déficit de atenção/hiperatividade.
