Na queda de braço por parar ou não as estradas brasileiras no sábado, dia 30 de março, venceu o segundo grupo. Apesar das articulações durante a semana por meio de aplicativos de mensagens, foi bem abaixo do prometido a adesão de caminhoneiros à mobilização geral.
A desunião e briga política dentro da categoria e o pronunciamento do governo na sexta-feira (29) são apontados como fatores que contribuiram para acalmar os ânimos – especialmente dos mais radicais, que propunham uma greve como a que parou o país em maio do ano passado. “Essas coisa (paralisação) surgiu em conversas de WhatsApp, mas o que vemos ainda é uma desunião. Não há ainda uma pauta, um documento. Existe sim um descontentamento grande, uma insatisfação grande nos companheiros, mas precisa ter uma discussão formal para convencer a parar”, afirmou o presidente do Sindicato da União Brasileira dos Caminhoneiros, José Natan Emídio Neto. Ele não descarta, no entanto, que novas articulações surjam nos próximos dias.
Até porque a mobilização não foi convocada pelas entidades que representam a categoria. No RS não há informação de grupos que tenham aderido.
Em alguns Estados aconteceu mas a adesão foi pequena. Em Minas Gerais, dezenas de caminhoneiros fizeram um protesto no acostamento no quilômetro 700 da BR-116, em Muriaé. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal em Minas Gerais (PRF-MG), o ato não chegou a afetar o tráfego de veículos.
Em Curitiba, no Paraná, um grupo de cerca de 40 caminhoneiros fez uma manifestação na BR-476, Linha Verde, na altura do quilômetro 142. Os caminhoneiros saíram em comboio, pela faixa da direita, sem atrapalhar o fluxo de automóveis, e foram acompanhados por viaturas da PRF.
Durante a manhã, um grupo chegou a protestar com “buzinaço” em frente à Petrobras, no Vale do Paraíba (SP). Carregando faixas com os dizeres “Não queremos paralisação, queremos solução”, os manifestantes cobraram “a fiscalização da tabela de preço mínimo, uma política justa de combustíveis e o cancelamento das pontuações da CNH e das multas de R$ 5 mil aplicadas pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT)”.
Segundo Everaldo Bastos, membro da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), são pedidos urgentes para que possam exercer o trabalho com dignidade e segurança. A principal reivindicação envolve a política de preços do diesel da Petrobras. Na terça-feira (26), a estatal anunciou que manterá o preço do diesel congelado nas refinarias pelo prazo mínimo de 15 dias. Os caminhoneiros querem redução no preço e congelamento da tabela por pelo menos 30 dias.
