A permanência da juventude no campo é um dos maiores desafios da agricultura e pecuária familiar em decorrência da saída de jovens em busca de oportunidades nas cidades, a construção de políticas públicas estruturantes torna-se urgente para garantir o futuro da produção de alimentos e da vida no meio rural. Neste contexto, a FETAG-RS entende que o cenário é de baixa adesão ao Pronaf Jovem e propõe mudanças efetivas na linha de crédito voltada à juventude rural no Plano Safra 2025/2026.
Criado para atender jovens agricultores familiares entre 16 e 29 anos, o Pronaf Jovem oferece crédito com condições diferenciadas para estimular o empreendedorismo e a sucessão rural. Contudo, os dados do Rio Grande do Sul e do Brasil demonstram a necessidade urgente de reformulação da política.
No Brasil, o número de operações do Pronaf Jovem, que chegou a 510 em 2017/2018, caiu para apenas 38 até o momento na safra 2024/2025. Apesar do aumento no ticket médio (de R$ 6.993,75 em 2015/2016 para R$ 22.559,79 em 2024/2025), a queda no volume de contratos mostra que o programa está se tornando menos acessível à juventude rural como um todo.
No Rio Grande do Sul, o cenário é ainda mais crítico: a safra atual (2024/2025) contabiliza apenas 3 operações, com um valor total de R$ 69 mil. Desde 2016, o Estado nunca ultrapassou três contratos por ano, revelando a ineficiência prática do programa em sua configuração atual.
Para a coordenadora Estadual da Juventude Rural da FETAG-RS, Camila Rode, esse cenário é reflexo de um modelo de política pública que não conversa com a realidade da juventude rural. “A burocracia, a falta de assistência técnica e as exigências complexas afastam os jovens do acesso ao crédito. A juventude quer permanecer no campo, mas não encontra condições reais para isso”, afirma.
Propostas da FETAG-RS para o Plano Safra 2025/2026
A FETAG-RS propõe uma reformulação completa do Pronaf Jovem, com novas regras e critérios de acesso, buscando tornar a política pública mais justa, inclusiva e eficaz. As propostas apresentadas incluem:
• Supressão das atuais exigências burocráticas que dificultam a operacionalização do programa, como a obrigatoriedade de o jovem ter concluído ou estar cursando o último ano de curso técnico em agropecuária ou curso superior na área de ciências agrárias ou medicina veterinária e ter participado de cursos de capacitação do Pronatec ou Pronacampo.
• Inclusão da possibilidade de crédito de custeio, além do crédito para investimento;
• Redução das taxas de juros e bônus de adimplência de 25%;
• Prioridade de atendimento a jovens com renda familiar de até R$ 100 mil, conforme o CAF Pronaf V.
Novas condições propostas:
• Público-alvo: jovens entre 16 e 29 anos;
• Renda máxima: até R$ 100 mil/ano;
• Finalidades: investimento (até R$ 100 mil) e custeio (até R$ 50 mil);
• Prazos: o Investimento: até 10 anos (com até 5 anos de carência); o Custeio: até 3 anos (com 1 ano de carência);
• Taxas de juros:
o Investimento: 1,5% ao ano; o Custeio: 0,5% ao ano;
• Bônus de adimplência: 25%.
