Faltando exatamente 40 minutos para o início do debate presidencial, a Rede Globo anunciou o cancelamento a programação, fazendo um movimento inédito na história da principal emissora do país.
Conhecida por fazer tradicionalmente o último debate antes do dia das eleições, a decisão da plim-plim selou uma campanha em que nenhum dos dois principais candidatos estiveram debatendo com concorrentes.
No entanto, o de ontem teve um tempero especial… Confusão, caos, notícia em cima de notícias, decisão em cima de decisão — um verdadeiro tempero de Brasil 2026. O dia de ontem entra para a história da política brasileira e nos faz lembrar da força da mídia.
Vamos voltar à linha do tempo do início…
→ Na semana passada, a Globo anunciou os convidados ao debate: Lula, Flávio, Caiado e Cury — deixando Zema e Renan de fora. Por lei, a emissora só é obrigada a chamar candidatos de partido que tem pelo menos 5 deputados na Câmara.
→ Na sequência, o Novo solicitou no TSE a inclusão do Zema, pedindo que fossem contabilizados os atuais cinco integrantes do partido na Câmara, e não apenas os três eleitos em 2022. O ministro Kassio Nunes aceitou o pedido e o candidato foi convidado.
→ Já nesta quarta-feira, a campanha de Lula comunicou que ele não iria ao evento, e o Flow anunciou que o presidente participaria do podcast no mesmo momento do debate programado da Globo.
→ Renan Santos também entrou com um pedido no TSE e no STF, mas não teve sucesso… Até que o Solidariedade, que apoia Cury, entrou no STF pedindo o convite a Renan. A cerca de 2 horas do evento, Gilmar Mendes determinou que a Globo o convidasse.
→ A ministra do TSE, Estela Aranha, proibiu que a Globo mantivesse o púlpito vazio com o nome de Lula — um hábito tradicional e comum de debates. Ela ainda proibiu que os participantes fizessem perguntas para o atual presidente, apesar das regras assinadas pelas equipes preverem e permitirem essa possibilidade.
→ Quando todos acharam que os candidatos estavam definidos, Flávio Bolsonaro anunciou que não iria mais participar, alegando que a decisão da ministra do TSE foi uma censura.
→ Não muito tempo depois disso, e não muito tempo antes do horário do debate, a Rede Globo anunciou o cancelamento da realização.
A nota da emissora e o duro editorial do Globo: “Diante da interferência política e das violações à Constituição…”
Em pleno Jornal Nacional, a Globo anunciou o cancelamento. César Tralli explicou ao vivo a decisão e leu a nota oficial da companhia. Veja aqui o momento.
Em paralelo, o jornal O Globo publicou um duro editorial com o título “Sem liberdade não há debate”, no qual criticou os tribunais superiores e a postura de Lula. O texto questiona as medidas do Judiciário, principalmente da ministra do TSE.
- “Ex-assessora do ministro Flávio Dino (…) e indicada ao cargo pelo próprio Lula, a ministra Estela Aranha criou um desequilíbrio em favor do candidato petista, em detrimento dos demais postulantes ao Planalto.”
O comunicado ainda defende que todos os convidados deveriam comparecer e que a desistência de ir ao debate é um desrespeito com os eleitores e “mancha as até agora limpas credenciais democráticas do próprio Lula”.
“Não há condição de realizar um debate livre se a Justiça intervém horas antes numa afronta à liberdade de imprensa. A politização perniciosa que tem acometido os tribunais superiores no Brasil justifica plenamente a decisão da Globo.”
Como os candidatos reagiram?
- Cury criticou o protagonismo do STF e defendeu um mandato de oito anos para ministros da Corte.
- Caiado disse que foi o Lula quem provocou tudo isso, se referindo a ele não ter ido ao debate.
- Zema criticou a interferência do STF e TSE nas regras do debate, e criticou o modus operandi do Judiciário.
- Renan Santos disse que essa é uma não-eleição e criticou Lula e Flávio por terem cancelado suas idas e não terem participado de debates no 1o turno.
- Flávio disse ser uma noite de muita indignação, falando que foi cancelado um debate a 3 dias das eleições por censura dos amigos do Lula das mais altas cortes do país
- Lula, no Flow, disse não gostar desse tipo de debate em que candidatos com poucos pontos nas pesquisas debatem com os candidatos líderes de pesquisa.
