Um dos mortos pelo coronavírus no Rio Grande do Sul confirmado na última terça-feira (12) é o imigrante haitiano Jean Huigues Paul, morador há seis anos de Vila Maria, município de pouco mais de 4 mil habitantes no Norte do RS. Foi a primeira morte registrada na cidade.
“Por causa da situação do país, da política, ele veio buscar uma vida melhor, mais tranquila, e mais dinheiro, para viver aqui um pouco melhor”, afirma Onel Jean Pierre, também haitiano, que era amigo e compadre de Jean.
O imigrante chegou ao país após uma passagem pela Venezuela. O primeiro local que viveu no Brasil foi em Manaus, no Amazonas, de onde conseguiu uma oportunidade para trabalhar em uma empresa no Rio Grande do Sul. Trabalhou na fábrica até ser demitido, poucos meses antes da morte, conforme Onel.
No Brasil, ele não era legalizado e utilizava um passaporte feito com base em um documento de um parente. Isso causou um desentendimento na idade registrada pela Secretaria Municipal de Saúde: diferente do informado inicialmente, Jean morreu aos 52 anos, e não 70. O secretário, Bernardino Foiato, disse ao G1 que a pasta analisa de que forma vai corrigir a informação.
Conforme o amigo, Jean Paul tinha esposa e quatro filhos, no Haiti, com quem mantinha contato e para quem enviava dinheiro. Em Vila Maria, morava com um primo, que avisou os familiares da morte. Jean foi enterrado no município, com os gastos pagos pela prefeitura, diz o secretário.
Desde que foi demitido da empresa onde trabalhava, Jean passou a aparentar tristeza e abatimento, diz Onel. “Vi que ele começou a emagrecer, falei para ele ‘compadre, o que tá acontecendo’?”, afirma.
O amigo diz que não sabia que ele sofria de problemas de saúde. A Secretaria de Saúde confirma que Jean buscou atendimento após apresentar sintomas de coronavírus, e passou a ser monitorado, em visitas domiciliares. Na quinta-feira (7), passou mal e foi internado no Hospital Cristo Redentor, em Marau.
No mesmo dia, seu estado de saúde piorou e ele foi transferido para o Hospital São Vicente de Paulo, em Passo Fundo, onde faleceu no sábado.
A morte e o diagnóstico, confirmado na terça (12), surpreenderam Onel. “Ele não saía de casa. Não sei de onde pode ter pegado”, afirma. Conforme Onel, ele, que foi uma das últimas pessoas a ter contato com Jean, e o primo que morava com ele, não apresentaram sintomas da doença e não fizeram teste para coronavírus.
Fonte: G1
