A queixa de que “ninguém mais quer ser pedreiro” tornou-se um mantra nos escritórios das grandes construtoras. Mas, por trás do desabafo dos executivos, existe uma mudança estrutural no Brasil que o setor custou a enxergar.
O apagão de mão de obra nos canteiros é o resultado de décadas de baixa inovação encontrando uma nova realidade demográfica.
- Por muito tempo, o Brasil se apoiou em mão de obra farta e barata — era mais viável contratar dezenas de operários do que investir em automação.
O problema é que essa conta parou de fechar… Com a queda na taxa de natalidade e o aumento da escolaridade média, as novas gerações buscam ocupações menos árduas. O seu tio diria algo como “esses jovens não querem mais trabalho duro”.
- Pense que o déficit de profissionais na mão de obra da construção civil já supera 230 mil pessoas — o maior em duas décadas.
Enquanto outros setores se industrializaram, 70% das obras no país ainda utilizam métodos artesanais, que geram até 30% de desperdício de material. No geral, muitas empresas operam sem indicadores precisos sobre a eficiência das equipes.
Para reverter o cenário, o setor que movimenta de 4% a 6% do PIB tenta acelerar essa modernização, substituindo o tijolo por estruturas prontas e painéis pré-moldados. Isso poderia gerar mais vagas técnicas e diminuir a demanda por trabalho braçal.
