Os Correios fecharam o primeiro trimestre de 2026 com prejuízo líquido de R$ 3,1 bilhões, quase o dobro do R$ 1,7 bilhão registrado no mesmo período do ano anterior. Porém, o número esconde uma contradição. No operacional puro, a empresa teve lucro bruto de R$ 153,4 milhões, revertendo o prejuízo de 2025.
O problema está nas despesas, que saltaram de R$ 1,22 bilhão para R$ 2,27 bilhões, puxadas por reajustes salariais, inflação e provisões para processos judiciais. O resultado financeiro também pesou, com saldo negativo de R$ 636,9 milhões em encargos de dívidas.
A estatal ainda enfrenta queda nas receitas dos serviços postais tradicionais e concorrência crescente no e-commerce, segmento mais rentável da logística. Para reverter o quadro, os Correios apostam em um plano de reestruturação com foco em eficiência operacional, diversificação de receitas e recuperação de previsibilidade financeira.
“É um ciclo vicioso. A dificuldade de caixa gera dificuldade de pagamento ao fornecedor, isso afeta a operação. Ao afetar a operação, a gente macula a capacidade de aumentar o volume (de trabalho) ou de gerar novos contratos”, explicou o presidente dos Correios, Emmanoel Schmidt Rondon.
O presidente assumiu o cargo em setembro do ano passado, com mandato até agosto de 2027, com objetivo de reestruturar a estatal. Entre medidas saneadoras, a empresa abriu dois planos de demissão voluntária (PDV). Na edição deste ano, 3.181 aderiram ao desligamento. O volume de adesões foi menor que o obtido no PDV 2024/2025, 3.756 empregados, mas o ingresso no plano só foi possível em prazo menor – entre fevereiro e abril deste ano.
A perspectiva inicial da estatal era fazer 10 mil desligamentos. Outros processos de demissão voluntária poderão ser abertos no futuro.
- Prejuízo Trimestral: R$ 3,158 bilhões.
- Comparação Anual: O déficit aumentou cerca de 82% em relação ao primeiro trimestre do ano anterior (R$ 1,7 bilhão).
- Contexto Recente: O cenário dá continuidade a um histórico de resultados negativos, visto que a empresa fechou o ano de 2025 com um rombo consolidado de R$ 8,5 bilhões.
(Imagem: Correios | Divulgação)
