O Brasil está seguindo um caminho solitário na previdência. Enquanto o mundo restringe o acesso a aposentadorias precoces, por aqui, os benefícios “especiais” já representam 40% das aposentadorias programadas.
Para fins de comparação, a Grécia é o país da OCDE que tem essa taxa mais alta, em apenas 11%. Quase 1/3 dos 38 países da organização sequer têm essa modalidade para o trabalhador comum.
O que são os “benefícios especiais”? Diferente da regra geral (65 anos para homens e 62 para mulheres), esse regime permite se aposentar mais cedo ou com menos contribuição. No Brasil, o grupo é formado por:
* Trabalhadores rurais;
* Professores da educação básica;
* Trabalhos com exposição a risco químico, físico ou biológico;
* Militares, policiais, bombeiros;
* Pessoas com deficiência.
O crescimento dessas concessões pressiona o caixa e cria um descompasso demográfico. O brasileiro está vivendo por mais tempo, mas a atualização das categorias não acompanha essa mudança.
Em 2000, na média, o beneficiário recebia o pagamento por 14 anos. Em 2021, o tempo saltou para 29 anos. Em outras palavras, o governo paga o benefício por muito mais tempo.
Zoom out: A tendência global é parar de dar “folga na idade” e focar em requalificar o trabalhador para outras funções menos desgastantes — prolongando a vida economicamente ativa das pessoas desses grupos.
