Genialidade, coragem e perseverança. São essas três das muitas palavras que descrevem a brilhante trajetória de Tatiana Sampaio ao longo de quase três décadas.
Bióloga e pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ela coordena o Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular no Instituto de Ciências Biomédicas.
Desde 1998, dedica sua carreira a entender como proteínas podem reconstruir conexões nervosas perdidas. Discreta, persistente e movida por uma inquietação científica, Tatiana escolheu enfrentar um dos maiores desafios da medicina: a lesão medular.
Foi dessa trajetória que nasceu a polilaminina, versão recriada em laboratório da laminina, proteína natural que auxilia os neurônios a se conectarem.
Produzida a partir da placenta humana, a molécula funciona como uma espécie de “andaime biológico”, favorecendo a formação de novas conexões nervosas em áreas lesionadas.
Na prática, em um campo onde a regra sempre foi adaptação, e não reversão, a cientista ousou propor regeneração.
Os resultados chamaram atenção
Nos estudos iniciais, oito pacientes paraplégicos e tetraplégicos receberam a aplicação experimental da substância.
O resultado: seis apresentaram recuperação de movimentos, incluindo um que estava paralisado do ombro para baixo que voltou a andar sozinho.
A descoberta gerou R$ 3 milhões em royalties para a UFRJ, o maior valor já recebido pela instituição.
Maaas… nem tudo são flores. Cortes orçamentários cortes severos no orçamento da UFRJ em 2015 e 2016 impediram o pagamento das taxas internacionais da patente, fazendo com que o Brasil perdesse os direitos globais sobre a tecnologia.
A patente nacional só foi preservada porque a própria Tatiana arcou temporariamente com os custos do próprio bolso.
Em janeiro, a Anvisa autorizou o início da fase clínica para avaliar a segurança do tratamento em cinco voluntários. A expectativa é confirmar se a aplicação direta da proteína na lesão estimula a reorganização das conexões nervosas.
