Nas mãos de cinco equipes médicas e mais de 40 profissionais esteve a vida de Orilde Cazer, 37 anos, de David Canabarro. Estava também a da filha Luana Cazer Betanin, que na barriga da mãe esperava para conhecer o mundo. No dia 6 deste mês, as duas venceram bravamente a luta pela vida.
No quarto 405 da Maternidade, Orilde e sua mãe Lenilda Cazer olhavam encantadas para a pequena Luana. Tranquila, a bebê não sabe ainda o que sua mãe enfrentou para tê-la e também para poder cuidá-la. A professora de educação física levava uma gravidez tranquila e saudável. Já mãe de Tainá, de 14 anos, conhecia como era uma gestação. Mas, nas 36 semanas começou a se sentir cansada e ter mal-estar. Foi quando, na última semana de abril, ela desmaiou e foi para o hospital.
DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO
Preocupado, o médico da cidade a encaminhou para Passo Fundo, no HSVP, pois Orilde havia perdido líquido amniótico. Chegando em Passo Fundo ela foi atendida pela Maternidade e ficou em observação, fazendo exames. Novamente passou mal, foi quando a equipe descobriu uma embolia pulmonar, ou seja, havia um coágulo obstruindo as artérias do pulmão. O estado dela era grave, pois o coração podia parar, já que a respiração estava comprometida.
Mãe e bebê corriam risco de morte. Orilde ficou na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) onde recebeu os cuidados da equipe. Nas mãos dos profissionais estava a decisão de qual seria o melhor procedimento para que as duas saíssem bem. Conforme os médicos que cuidaram dela, a literatura trazia informações e procedimentos em pacientes com uma gravidez mais precoce, porém, em pacientes com uma gravidez adiantada, haviam poucas referências. Foi então, que as equipes se reuniram para estudar a melhor forma de salvar Orilde e Luana.
Os cirurgiões vasculares Dr. Mateus Corrêa, Dr. Júlio Bajerski, Dr.Jaber Saleh, Dr.Rafael Noel e Dr.Renan Putondo do grupo Invasc, Dra. Aline Agostini da Obstetrícia, Dra. Camila Soares da Pediatria, os anestesistas Jairo Begnini e Dion Vinícius Blatt, a equipe do CTI Neonatal, equipe da Maternidade, Dra. Cássia Beltrame da Pneumologia e CTI Adulto, e mais de 30 enfermeiros, técnicos de enfermagem e residentes debateram e se preparam para realizar o melhor tratamento.
A decisão, foi que, o procedimento seria realizado na Hemodinâmica e a cesárea também. O setor foi fechado e organizado para tal.
“O tratamento consistia em dissolver o coágulo para que a circulação do pulmão voltasse ao normal. Porém o medicamento que é usado para isso poderia oferecer riscos para o bebê ou a mãe corria riscos do coração parar, se a cesárea fosse feita. Decidiu-se então realizar a cesárea e o tratamento no mesmo momento”, explicam os especialistas.
Na Hemodinâmica, tudo foi montado e pensado para a realização do procedimento. “Posicionou-se os cateteres, um em cada pulmão para fazer a desobstrução e um em cada artéria do útero. Então, a obstetrícia tirou o bebê e agimos para dissolver o coágulo”, relata o Cirurgião Vascular, Dr. Mateus Correa. Orilde ficou alguns dias na UTI para se recuperar.
A médica pneumologista Cássia Beltrame que acompanhou o caso, relata que muitos profissionais se mobilizaram para salvar a vida da paciente. “Foi um momento de união das especialidades para encontrar a melhor saída, pois queríamos que mãe e bebê ficassem bem”, relata.
PÓS-PARTO E RECUPERAÇÃO
Orilde se emociona muito ao lembrar-se dos momentos que antecederam o procedimento e das palavras de carinho dos profissionais. “Eu só posso agradecer a todos eles por não terem desistido, por terem estudado e buscado o melhor para mim. Ganhei uma nova data de aniversário”, enaltece a paciente, que em breve poderá curtir as duas filhas no conforto de casa.
“Os profissionais vieram conhecer a Luana, tirar foto, recebi muito carinho de toda a equipe do hospital. Eu não tenho palavras para agradecer por tudo isso que fizeram por mim e pela minha família. Aprendemos a valorizar ainda mais a vida”.
A mãe de Orilde, Zenilda comenta que foi um susto muito grande e que todos na cidade se reuniram para rezar e mandar boas energias para ela.
“Nós sabíamos da gravidade. Durante todo o procedimento ficamos ansiosos, rezando e chorando. Mas ou era isso, ou perderíamos uma das duas e não queríamos isso. Ela tinha que ficar bem para cuidar das minhas duas netas”, conta emocionada.
Fonte: Diário da Manhã – http://twixar.me/hkwn
