Atualmente estamos vivendo em um novo cenário, inesperado, incerto e desafiador. Neste contexto, é natural nos depararmos diariamente com inseguranças, anseios, medos, emoções e sentimentos negativos, bem como com a necessidade de ser resiliente e de se adaptar à uma nova realidade, que ainda estamos conhecendo. As adaptações e mudanças são diversas: convívio social restrito, projetos e desejos interrompidos, trabalho e ensino à distância, possibilidade de adoecimento constante, acúmulo de tarefas, afeto sendo manifestado por meio de recursos digitais, entre tantas outras. Assim, como manter-se bem emocionalmente diante deste cenário e deste turbilhão de sentimentos e emoções que estamos vivendo?
Se você tem se sentido ansioso, cansado, triste e com o sentimento de que é impossível dar conta de tudo que está acontecendo ao seu redor, sugiro que continue essa leitura.
A inteligência emocional (IE) é indispensável para que possamos nos manter bem, com saúde emocional, em um contexto tão incerto como o que estamos vivendo. Ter consciência de como você reage e se sente diante de cada emoção é fundamental para se recuperar de um sentimento negativo. Esse processo é importante para se manter em equilíbrio, uma vez que medo, raiva, tristeza e alegria fazem parte do nosso desenvolvimento e contribuem diretamente para a sobrevivência do ser humano. Quando bem direcionadas, essas emoções servem para nos impulsionar e nos proteger de diversas situações do dia a dia.
Mas afinal, o que é IE? O psicólogo Howard Gardner causou forte impacto na área educacional com a teoria das inteligências múltiplas. Para ele, inteligência pode ser vista como o potencial para resolver problemas e para criar aquilo que é valorizado em um determinado contexto social e histórico. Deste modo, podemos dizer que existem talentos diferenciados para atividades específicas, sendo um destes talentos/habilidades a capacidade de lidar com as emoções. O termo IE foi popularizado a partir da década de 90 com o livro “Inteligência Emocional”, de Daniel Goleman. IE é basicamente o conjunto de competências relacionadas à capacidade de uma pessoa identificar e lidar com suas emoções pessoais e dos outros.
É possível desenvolver minha IE? Sim, por meio da construção de novos hábitos e formas de se pensar e comportar. Não se trata de bloquear os sentimentos, mas sim de perceber a presença deles e reagir adequadamente – é usar suas emoções a seu favor. Para começarmos a desenvolver nossa IE, precisamos buscar alcançar os seguintes pilares:
1. O primeiro passo é o autoconhecimento, pelo qual podemos conhecer nossas próprias emoções e limites, desenvolvendo uma autoconsciência das nossas respostas a cada estímulo. O autoconhecimento pode ser desenvolvido de diversas formas: auxílio psicológico, leituras, reflexões a respeito de si, observação do próprio comportamento e suas reações, bem como por meio de cursos voltados para o autoconhecimento. Você conhece suas emoções e sua reação a elas?
2. O próximo passo é progredir para o autocontrole das emoções, ou seja, é não ficar à mercê dos próprios sentimentos. Assim, não deixaremos de sentir as emoções negativas, porém não seremos dominados por elas. Algumas atividades voltadas à respiração, meditação e prática de exercícios físicos pode auxiliar neste processo. Você pensa antes de agir?
3. A automotivação é o terceiro passo e, por meio dela, busca-se direcionar o controle emocional para o cumprimento de objetivos. É usar as emoções ao seu favor e ser resiliente. Como essa emoção que estou sentindo pode me levar onde eu desejo chegar?
4. O quarto passo é reconhecer as emoções nos outros, ou seja, escutar a emoção do outro com sensibilidade. Coloque-se no lugar do outro e use as lentes do outro antes de julgar. Você tem pensado em como as pessoas ao seu redor estão reagindo à este contexto de pandemia?
5. Por fim, o último passo consiste nas habilidades interpessoais, as quais estão relacionadas à arte de se relacionar, o que requer aptidão para lidar com as emoções das outras pessoas. Como tenho me relacionado com minha família e com meus pares?
Quanto mais conscientes estivermos acerca de nossas próprias emoções, mais fácil poderemos entender o sentimento alheio. Neste momento pandêmico, no qual estamos convivendo com uma significativa carga de emoções e sentimentos, desenvolver a IE se torna imprescindível, apesar de não ser uma tarefa fácil ou rápida. Entretanto, é preciso dar o primeiro passo. Como afirma o autor Daniel Goleman, “para o bem ou para o mal, quando são as emoções que dominam, o intelecto não pode nos conduzir a lugar nenhum”.
Fonte: Emanuele Canali Fossatti / Psicóloga CRP/RS 22095 – Docente do Curso de Administração da Cesurg Marau
Natalia Hoppe Maurina
Assessora de Imprensa – Faculdade CESURG Marau
