Na próxima semana a Rádio Vila Maria FM abordará de forma mais aprofundada esse assunto, em função do registro de casos da doença em Marau e Vila Maria.
A coqueluche é também conhecida como “Pertussis” (devido ao nome da bactéria causadora), “tosse comprida” ou “tosse convulsa”. É uma doença infecciosa aguda e transmissível, responsável por acometer o aparelho respiratório (traquéia e brônquios). A coqueluche é causada pela bactéria Bordetella pertussis, ou “bacilo de Bordet-Gengou”, que produz uma toxina que faz com que os sintomas de tosse convulsa, constipação e outros se manifestem. Além dessa bactéria, cerca de 5% a 20% dos casos de coqueluche podem ser causados por um outro tipo mais grave, a Bordetella parapertussis.
A coqueluche foi descrita pela primeira vez em 1578, mas a B. pertussis só foi isolada em 1907 por Jules Bordet e Octave Gengou. A vacina foi desenvolvida em 1926 e o genoma da bactéria foi sequenciado em 2002.
Esta doença é extremamente grave para lactantes e crianças pequenas que não foram vacinados, principalmente recém-nascidos com menos de 2 meses de idade que ainda não receberam a primeira dose da vacina.
As crianças recém-nascidas têm as vias respiratórias muito finas e que podem ser facilmente obstruídas pelo muco produzido na infecção. Por conta disso, elas podem até correr o risco de não conseguirem respirar.
Além de ser altamente contagiosa, sua duração é de 6 a 10 semanas. Em vários países desenvolvidos (Europa, América do Norte ou Japão, por exemplo) a cobertura de vacinas é muito alta e são poucos os casos de coqueluche, bem como morte da criança.
Contudo, nos países em desenvolvimento, até mesmo em países emergentes, como o Brasil, a coqueluche continua causando danos e várias mortes. Isto ocorre devido à cobertura vacinal de adultos muito baixa eles podem transmitir a doença para bebês ou crianças pequenas.
Em setembro de 2013, no Texas (EUA), ocorreu uma epidemia de coqueluche e foram registradas pelo menos duas mortes. A baixa imunização de adultos foi a principal causa, porque a maioria dos recém-nascidos e crianças pequenas foi contaminada por adultos, apenas 12% destes adultos estavam imunizados.
No Brasil, devido à manutenção das altas coberturas de vacinação, notou-se uma variação da incidência de casos de coqueluche, cerca de 0,32 casos para 100 mil habitantes em 2010 contra 0,72 para cada 100 mil habitantes em 2004; no país a notificação é compulsória.
Principalmente nas crianças e nos idosos, ela pode evoluir para quadros graves com complicações pulmonares, neurológicas, hemorrágicas e desidratação.
De acordo com dados fornecidos pela OMS, em 2010, houve aumento significativo dos casos de coqueluche em adolescentes e adultos no Brasil. Na América Latina, eles praticamente triplicaram em cinco anos.
Casos de coqueluche costumam ser mais raros na vida adulta. No entanto, tosse seca e contínua por mais de duas semanas em jovens e adultos pode ser sinal de que foram novamente infectados pela bactéria da tosse comprida, apesar de terem recebido a vacina na infância ou de terem ficado doentes.
Apesar da vacina contra coqueluche não oferecer proteção permanente, é indispensável vacinar as crianças.
A vacina tríplice clássica (DPT) contra difteria, coqueluche (pertussis) e tétano faz parte do Calendário Oficial de Vacinação do Ministério da Saúde e deve ser ministrada aos dois, quatro e seis meses de idade, com doses de reforço aos 15 meses e aos 4 anos. Grávidas devem fazer a vacina com 20 semanas de gestação. Embora a imunização dure cerca de dez anos, essa vacina não deve ser aplicada depois dos seis anos de idade.
Felizmente, adultos e crianças já vacinados dificilmente voltam a contrair a doença, a não ser que sejam expostos ao contato íntimo com um portador de coqueluche ou nos surtos da doença.
Nesses casos, a vacina contra difteria, coqueluche e tétano acelular (DPTa) oferece proteção por aproximadamente 10 anos e pode ser utilizada como forma de prevenir essas doenças.
Uma vez diagnosticada a doença, alguns cuidados simples são importantes no atendimento ao doente:
* Mantenha o doente afastado de outras pessoas e em ambientes arejados, enquanto durar a fase de transmissão da doença;
* Ofereça-lhe líquidos com frequência para evitar a desidratação e refeições leves, em pequenas porções, mas várias vezes ao dia;
* Separe talheres, pratos e copos para uso exclusivo da pessoa com coqueluche;
* Não se iluda com as receitas caseiras para tratamento da tosse típica da coqueluche;
* Lave cuidadosamente as mãos antes e depois de entrar em contato com o paciente;
* Procure assistência médica se as crises de tosse se manifestarem por mais de 15 dias. elas podem ser sintoma de outras doenças e não da coqueluche.
Observação importante:
Segundo orientação do Ministério da Saúde, todos os comunicantes íntimos (familiares, amigos, colegas de escola ou de trabalho) deverão receber uma dose da vacina DPTa.
