A cultura da canola está no final do ciclo, avançando da fase de enchimento de grãos para a maturação fisiológica e a colheita. Nas principais regiões produtoras do Rio Grande do Sul, a evolução fenológica da canola tem sido favorecida por períodos recentes de maior disponibilidade de radiação solar e temperaturas de amenas a elevadas, condições que contribuíram para a aceleração da maturação e para a redução do teor de umidade das plantas. De acordo com o Informativo Conjuntural, divulgado no dia 1º de outubro pela Emater/RS-Ascar, foram cultivados no Estado 353.397 hectares com canola, com produtividade média estimada em 1.619 kg/ha.
O desempenho produtivo da canola apresenta elevada variabilidade regional. Em determinadas áreas, a ocorrência de doenças e as condições meteorológicas adversas comprometeram a formação das estruturas reprodutivas, reduzindo o número de síliquas por planta e de grãos por síliqua e, como consequência, o potencial produtivo. Nas áreas não afetadas por esses fatores, o padrão de desenvolvimento das plantas e de formação das estruturas reprodutivas está satisfatório. Entretanto, a ocorrência de granizo e vendavais no período, no Centro-Oeste e Noroeste, em proximidade ao período de colheita, elevou o índice de perdas, particularmente em razão da maior suscetibilidade à debulha dos grãos.
Na região de Santa Rosa, 2% das lavouras de canola estão em floração, 49% em enchimento de grãos, 40% maduras e 9% colhidas. A produtividade está estimada em torno de 1.700 kg/ha. A dessecação foi intensificada para uniformizar a maturação, reduzir a variabilidade da umidade dos grãos e favorecer as operações de colheita. A ocorrência de ventos e granizo provocou danos em diversas lavouras, cuja extensão está em levantamento. Na região de Frederico Westphalen, 30% das áreas cultivadas com canola estão em enchimento de grãos, 55% em maturação e 15% colhidas. A produtividade está atualmente estimada em 1.500 kg/ha.
Trigo – As lavouras de trigo estão em floração (19%) e enchimento de grãos (57%). A maturação fisiológica abrange 21% da área cultivada, e a colheita foi realizada em 1% das lavouras. O desempenho produtivo continua bastante variável, em razão da ocorrência de intempéries e do nível tecnológico empregado. As geadas de setembro provocaram a redução do potencial produtivo em áreas atingidas, devido a interrupções no enchimento e a problemas de fecundação. Também foram observados danos localizados por granizo e vendavais, em especial no Centro-Oeste e Noroeste do Estado, cuja extensão está sendo quantificada. A área projetada com trigo para Safra 2026 é de 814.220 hectares, e a produtividade média, de 2.701 kg/ha.
Aveia-branca – As lavouras de aveia-branca estão nas fases de desenvolvimento vegetativo (4%), florescimento (12%), enchimento de grãos e maturação (25%). Estão 7% colhidas. A estimativa de plantio é de 387.697 hectares, e a produtividade média está projetada em 2.322 kg/ha. De modo geral, a cultura apresenta bom desenvolvimento, embora haja diferenças entre as regiões quanto às condições fitossanitárias, ao potencial produtivo e à qualidade dos grãos. A incidência de doenças, como ferrugens, continua elevada em algumas áreas. Os eventos de chuva, vento e granizo provocaram danos e, em determinados casos, perdas expressivas.
Carinata – A cultura de carinata se encontra em transição das fases reprodutivas para a maturação. A evolução acelerou nas áreas submetidas à maior disponibilidade de radiação solar. Parte das lavouras apresenta bom estabelecimento e manutenção do potencial produtivo. Outras sofreram redução no desenvolvimento em decorrência de períodos prolongados de nebulosidade, de elevada umidade e das chuvas. Também foram registrados danos localizados por granizo. A área estimada de plantio pela Emater/RS-Ascar é de 2.365 hectares. Na região de Frederico Westphalen, 45% dos cultivos de carinata estão em enchimento de grãos, 50% em maturação e 5% colhidos. A produtividade atual estimada é de aproximados 1.100 kg/ha.
Cevada – As lavouras de cevada se encontram em enchimento de grãos, com avanço pontual para a maturação (6%). A ocorrência de períodos de tempo firme na semana favoreceu o desempenho reprodutivo e a conclusão dos manejos fitossanitários, e foram mantidas as intervenções apenas em áreas de implantação tardia. Os ventos fortes e o granizo não causaram impactos significativos na cultura, uma vez que a principal área de cultivo está concentrada no quadrante Nordeste do Estado, onde esses fenômenos não foram registrados. Contudo, a produção destinada à indústria cervejeira apresenta potencial inferior ao inicialmente esperado. A área de cultivo é estimada em 20.320 hectares no Estado, e produtividade média de 3.020 kg/ha.
CULTURAS DE VERÃO
Milho – A semeadura do milho avançou de 68% para 73% da área prevista ao longo do período, mantendo ritmo diferenciado entre as regiões, em função das condições de umidade do solo e das temperaturas. As áreas implantadas estão em germinação, emergência ou desenvolvimento vegetativo. O estabelecimento inicial tem apresentado evolução satisfatória, favorecido pela elevação das temperaturas e pela disponibilidade hídrica. As lavouras de implantação mais precoce apresentam bom estande e vigor vegetativo, mas as temperaturas mais baixas retardaram o crescimento em algumas áreas, sem indicação, até o momento, de comprometimento do potencial produtivo. A Emater/RS-Ascar estima o plantio de 896.401 hectares e produtividade de 7.711 kg/ha.
Milho silagem – Prossegue o plantio escalonada, chegando a 46% da área prevista para esta safra, que é de 369.389 hectares. As condições ambientais, como temperaturas amenas e umidade do solo, permitiram o avanço. Na região de Pelotas, a semeadura do milho silagem está em fase inicial, alcançando apenas 1%. A área a ser cultivada está estimada em 19.262 hectares e, desses, cerca de 10.000 hectares serão em São Lourenço do Sul, para atender à demanda da bacia leiteira local pelo alimento conservado. Para o Estado, a Emater/RS-Ascar estima uma produtividade de 38.392 kg/ha.
Arroz – A implantação da Safra 2026/2027 de arroz avança de forma desigual entre as regiões, com maior ritmo onde as condições de umidade permitiram o trânsito de máquinas. Em alguns municípios da Fronteira Oeste, o plantio ultrapassa metade da área prevista, e em outras localidades o excesso de umidade passou a limitar as operações. Ocorreram alagamentos pontuais decorrentes das chuvas intensas e da elevação de cursos d’água, com necessidade de posterior avaliação dos efeitos sobre taipas, drenos, canais, sementes e fertilizantes. Nas demais regiões, prosseguem a sistematização das áreas, o preparo para o cultivo pré-germinado e a implantação gradual das lavouras em solo seco. O Instituto Riograndense do Arroz (Irga) estima o cultivo de 861.779 hectares com arroz, e a Emater/RS-Ascar estima uma produtividade inicial de 8.741 kg/ha.
Feijão 1ª safra – A implantação da 1ª safra avançou em ritmos distintos, conforme as condições térmicas e de umidade de cada região. Em parte das áreas de menor altitude, que realizam a 2ª safra, o plantio está próximo ao terço final. Nas de maior altitude, a operação ainda não foi iniciada. A elevação das temperaturas favoreceu a retomada do desenvolvimento das lavouras, embora em ambientes mais frios a velocidade de crescimento inicial ainda esteja reduzida. Eventos de chuva intensa, vento e granizo provocaram danos localizados em lavouras implantadas. Nas áreas preparadas para a implantação, os danos se restringiram à perda de solos por erosão. A Emater/RS-Ascar projeta o plantio de 24.587 hectares em 1ª safra e produtividade inicial de 1.759 kg/ha.
OLERÍCOLAS E FRUTÍCOLAS
Alface e folhosas – Na região de Soledade, as precipitações intensas causaram danos pontuais e pouco expressivos em cultivos a céu aberto prontos para a colheita, causando grandes impactos nas lavouras. A oferta de folhosas no mercado está satisfatória, com destaque para alface, couve-manteiga, rúcula e tempero verde.
Brássicas – brócolis, couve-flor e repolho – Na região de Lajeado, no município de Vale Real, as culturas se encontram em plena fase de produção. Contudo, o excesso de precipitação, elevada umidade do solo e restrição de radiação solar têm prejudicado o desenvolvimento e a qualidade das inflorescências. Na cultura de brócolis, o cenário climático ocasionou perdas qualitativas, o que reduziu a oferta e tornou a comercialização mais atrativa. Na cultura de couve-flor, o encharcamento aumentou a incidência de doenças bacterianas, principalmente Erwinia sp. e Xanthomonas sp., que comprometem o padrão comercial das estruturas. Já nos cultivos de repolho, o excesso hídrico favoreceu a incidência de podridão-negra (Xanthomonas campestris pv. campestris). Apesar das adversidades climáticas, a comercialização está atrativa.
Figo – Na região de Pelotas, as plantas se encontram em início de brotação, fase que marca o período vegetativo da cultura e em que se realiza a primeira adubação. O estado fitossanitário dos pomares está excelente até o momento.
Melancia – Na região de Santa Maria, em São Francisco de Assis, até o momento, cerca de 400 hectares já foram implantados. Contudo, a ocorrência de granizo atingiu pelo menos 40 hectares, causando danos severos a essas lavouras. Está em andamento o levantamento das perdas nas áreas afetadas. Já na região de Soledade, a incidência de radiação solar e a elevação das temperaturas na segunda metade do período foram propícias para a fruticultura. Contudo, o frio da época ainda limita o desenvolvimento vegetativo e deixa as plantas mais suscetíveis a doenças.
Morango – Na região de Caxias do Sul, houve melhora na condição produtiva dos morangueiros no decorrer da semana. Porém, o volume colhido ainda está abaixo do esperado para a época. Houve aumento na emissão de flores, com adequado pegamento de frutos. Também se verifica a intensificação no voo de abelhas polinizadoras, sobretudo meliponíneos, nos ambientes de cultivo com colmeias, o que proporcionou leve incremento no volume de morango colhido. De modo geral, o estado fitossanitário das plantas está satisfatório, especialmente nas de primeiro ano. Nas lavouras de segundo ano ou mais, os produtores realizam a poda de limpeza mais severa para mitigar a presença de patógenos. Nos frutos, em virtude da elevada umidade relativa do ar, constata-se incidência de oídio e, principalmente, podridões, que ocasionam perdas.
Foto: Canola em ponto de colheita em São Miguel das Missões – foto Emater/RS-Ascar
Assessoria de Imprensa da Emater/RS-Ascar
Jornalista Adriane Bertoglio Rodrigues
