O chamado Janeiro Verde é o mês dedicado a intensificação na prevenção e cuidados com o câncer de colo de útero. Para reforçar essa campanha, a Rádio Vila Maria FM abriu espaço para a Doutora Júlia Pastorello. Ela é Oncologista e Coordenadora Médica do Centro de Oncologia e Hematologia do Hospital da Cidade de Passo Fundo.
O câncer de colo uterino é um tumor que acomete a porção inferior do útero, chamada colo ou cérvix. Este câncer é altamente prevalente na população feminina. No mundo, ocupa o segundo lugar no ranking dos cânceres femininos, só perdendo para neoplasia mamária. No Brasil está em terceiro lugar, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer em 2014, perdendo para mama, intestino (colon e reto), com taxa de incidência de 15 novos casos em 100.000 mulheres ao ano. A mortalidade pode chegar a 5 casos em 100.000 ao ano.
FATORES DE RISCO
Os fatores de risco para a infecção pelo papilomavírus humano (HPV) e consequentemente para as lesões pré-cancerosas e o câncer estão associados ao comportamento sexual, hábitos de vida e algumas doenças. Dentre eles são citados:
– Início sexual precoce – Mulheres que iniciam a vida sexual muito jovens apresentam maior risco de exposição ao HPV, com diversas infecções repetidas. Também a adolescente apresenta o colo uterino juvenil, o que favorece a penetração do vírus.
– Multiplicidade de parceiros sexuais – Há risco de infecções múltiplas pelos HPV, bem como outros agentes infecciosos que podem interferir na resposta imunológica à presença do vírus.
– Fumo – O tabaco é absorvido pelo pulmão e disseminado na corrente sanguínea, sendo eliminado no muco do colo uterino. Este tabaco provoca danos à célula do colo e tem efeito de baixar a imunidade local, dificultando a eliminação do vírus.
– Imunossupressão – Doenças que interfiram diretamente no sistema imunológico, como o HIV, hepatites, diabetes, uso de corticóides, transplantadas de órgãos, tem comportamento ruim frente à infecção por HPV. Mesmo que as lesões tenham tratamento adequado, é comum a recidiva, com maior risco de evolução para câncer e em geral em período mais curto.
– Desnutrição – A falta de alimentos ricos em betacarotenos, presentes em vegetais amarelos e verdes (mamão, cenoura, couve, brócolis), interfere com a imunidade, levando a persistência da infecção pelo HPV.
– Uso de contraceptivos hormonais – Tem interferência na imunidade, quando em altas doses de hormônios utilizados por longos períodos, acima de 5 anos.
– Baixo nível socioeconômico – Este fator está ligado à falta de acesso aos exames preventivos, bem como à falta de assistência médica frente aos casos de infecções genitais.
– Infecção por Chlamydia trachomatis – doença sexualmente transmissível causada por uma bactéria e costuma não ocasionar sintomas na maioria das mulheres infectadas. Quando está associada ao HPV, interfere na eliminação da infecção viral, ocasionando maior risco para câncer.
Doutora Júlia reforça que é importante que todas as mulheres com vida sexual ativa façam o exame preventivo anualmente para detectar qualquer alteração. Ela lembra que o diagnóstico precoce faz toda a diferença na questão da cura da doença.
VACINAÇÃO CONTRA O HPV
Existem atualmente dois tipos de vacinas para prevenção de infecções por HPV:
– Vacina Quadrivalente – protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18 do vírus.
– Vacina Bivalente – protege contra os tipos 16 e 18 do virus.
A vacina HPV quadrivalente confere proteção contra HPV 6, 11, 16 e 18. Os dois primeiros causam verrugas genitais e os dois últimos são responsáveis por cerca de 70% dos casos de câncer de colo do útero.
É importante observar que a vacina tem maior eficácia se administrada em adolescentes que ainda não foram expostas ao vírus, pois, nessa faixa etária, há maior produção de anticorpos contra o HPV que estão incluídos na vacina. Estas vacinas foram aprovadas para utilização no Brasil em 2006, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), disponíveis inicialmente na rede privada de saúde. A vacina quadrivalente foi aprovada para mulheres e homens entre 9 e 26 anos de idade, e a vacina bivalente para mulheres a partir de 9 anos, sem restrição de idade.
Em 2014 o Ministério da Saúde incorporou a vacina quadrivalente contra o HPV no Calendário Nacional de Vacinação do SUS. Esta vacina protege contra os subtipos 6, 11, 16 e 18 do HPV, ou seja, protege contra tipos causadores de verrugas genitais e câncer de colo do útero. Incluída em março de 2014, teve como população-alvo as meninas de 11 a 13 anos de idade. Em 2015, a oferta da vacina foi ampliada para as meninas na faixa etária de 9 a 11 anos de idade, e a partir de 2016 para meninas com 9 anos de idade. O Ministério da Saúde adota o esquema vacinal estendido, composto por três doses (0, 6 e 60 meses), e a estratégia de vacinação mista, ou seja, a vacinação poderá ocorrer nas Unidades de Saúde do SUS e em parceria com as secretarias de saúde e educação. Em 2017 ela passa a ser feita em meninos também.
