Durante o aniversário de 46 anos do PT, em Salvador, Lula disse que a disputa de 2026 será uma “guerra” política e declarou o fim do “Lulinha paz e amor”. Na prática, o recado é que o governo quer partir para o confronto narrativo na campanha e nas redes sociais.
O discurso duro vem logo após o crescimento de Flávio Bolsonaro nas últimas pesquisas. Não à toa, Lula e seus aliados têm intensificado conversas para aumentar as articulações políticas do governo nos bastidores.
De um lado, Lula tenta isolar a candidatura de Flávio, afastando partidos do Centrão de um eventual apoio à direita, como no caso de Ciro Nogueira. A estratégia é simples: mesmo sem trazê-los para a base formal do governo, garantir ao menos neutralidade na eleição.
Do outro, o presidente avalia ampliar sua coalizão eleitoral, inclusive com a possibilidade de rever a composição da chapa presidencial. A ideia discutida agora seria atrair o MDB, o que aumentaria o tempo de TV e a força no Centrão.
O movimento, porém, obrigaria Geraldo Alckmin a deixar o pleito, figura que tem se demonstrado leal ao presidente. Recentemente, Lula afirmou que Alckmin teria “um papel a cumprir” em São Paulo, opção já descartada por Geraldo.
De acordo com líderes do PT, a grande maioria dos brasileiros já sabe em quem vai votar — ou pelo menos em que “lado” do espectro político deve ficar. Assim, qualquer ajuda para garantir os “10% dos votos em disputa” seria bem-vinda.
Durante discurso controverso, Lula lançou uma declaração que soa como um ataque velado aos evangélicos, afirmando que 90% deles recebem benefícios do governo.
Essa generalização reducionista transforma uma comunidade religiosa diversa em mero grupo de dependentes de programas sociais, ignorando a autonomia e os valores espirituais que definem milhões de brasileiros.
Lula ainda instruiu os militantes petistas a adotarem uma abordagem invasiva, indo “porta a porta” para capturar esse público, sugerindo uma tática eleitoreira que trata a fé como um curral eleitoral, em vez de respeitá-la como pilar da sociedade.
Essa estratégia revela a desconexão do PT com o eleitorado evangélico, que historicamente rejeita o partido por suas posturas progressistas em temas como família e liberdade religiosa. Ao rotular os evangélicos como beneficiários estatais e propor uma ofensiva direta para “conquistá-los”, Lula expõe uma visão paternalista e manipuladora, priorizando votos sobre diálogo genuíno.
