A duas semanas do primeiro turno das eleições, o presidente Lula prometeu que o SUS vai oferecer, de graça, as canetas emagrecedoras. O anúncio veio no mesmo evento em que o governo confirmou o reajuste de 15% no Bolsa Família.
- Apesar da fala, 3 etapas precisam acontecer antes de qualquer paciente receber o medicamento de forma gratuita. São necessárias:
(1) a aprovação da Conitec (comissão do Ministério da Saúde que analisa novas tecnologias); (2) a criação de um protocolo de uso e de uma política pública de obesidade; (3) a definição de quanto vai custar e de onde sairá o dinheiro.
O pano de fundo do anúncio
Atualmente, o SUS não oferece nenhum remédio contra obesidade — apenas a cirurgia bariátrica, que conta com fila de espera. No país, mais de 60% da população está acima do peso e cerca de 25% tem obesidade.
A estimativa é que a medida tenha um impacto econômico de R$ 7 bilhões em cinco anos. Para efeito de comparação, as contas do governo central já acumulavam um déficit primário de R$ 144 bilhões nos 12 meses até jun/2026 — equivalente a 1,08% do PIB.
- Embora a meta oficial para o ano seja de um superávit de 0,25% do PIB, a própria equipe econômica já projeta fechar 2026 no vermelho, em cerca de R$ 52 bilhões.
O que vem a seguir: O tema não consta no programa de governo de Lula registrado no TSE. Ao ser procurado, o Ministério da Saúde confirmou apenas que as canetas “serão implementadas de forma responsável”, sem citar prazo, custo ou origem do dinheiro.
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