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Vila Maria FM

BRASIL: Gastos do Judiciário atingem o maior valor da história

23/09/2026 Rádio Vila Maria FM Notícias

O Brasil vive mais uma de suas crises institucionais recorrentes. Desta vez, o diagnóstico vem amparado em números. A classe responsável por zelar pela aplicação da lei tem ocupado, com frequência incômoda, o centro do noticiário por razões alheias ao interesse público: supersalários acima do teto constitucional, magistrados de cortes superiores vinculados ao caso Banco Master e um relatório oficial que escancara o preço dessa conta.

Não é surpresa que o valor tenha sido maior do que qualquer um esperava. Em meio a um Estado que consome cada vez mais do bolso do contribuinte, resta a pergunta: o que sobra para o cidadão?

Segundo o relatório Justiça em Números, do CNJ, o Poder Judiciário gastou R$ 164,6 bilhões em 2025, um recorde desde o início da série histórica, em 2009. O salto foi puxado por uma alta de 9% nas despesas com pessoal frente ao ano anterior.

Recursos humanos consomem 90,2% de tudo o que o Judiciário gasta, R$ 148,5 bilhões. Desse total, 78% vai para vencimentos básicos, 10,4% para benefícios como auxílio-saúde e moradia, e 6,6%, (R$ 9,8 bilhões), para verbas indenizatórias, o grupo de diárias, passagens e outros adicionais que costuma inflar os chamados supersalários.


(Gráfico: Folha de S.Paulo)

Enquanto isso, tecnologia recebeu R$ 4,3 bilhões, menos da metade do valor gasto só com verbas indenizatórias. A proporção chama atenção pois boa parte do discurso institucional do Judiciário nos últimos anos tem sido sobre digitalização e ganhos de eficiência com inteligência artificial na tramitação de processos.

  • Para Bruno Carazza, professor da FDC e autor de “País dos Privilégios”, os números sugerem o contrário: a modernização não estaria reduzindo custos, e sim sendo convertida em mais benefícios para servidores e magistrados.

Do outro lado do balanço, a arrecadação da Justiça caiu 8,9% em 2025, para R$ 68,2 bilhões, cobrindo apenas 41% do que o Poder gastou. A maior fatia da receita vem de custas, taxas e emolumentos (R$ 30 bilhões), seguida por execuções fiscais (R$ 16,2 bilhões) e pelo imposto causa mortis cobrado em inventários (R$ 15 bilhões).

Lembrando que o próprio presidente do STF, Edson Fachin, já tentou conter parte desse problema: uma comissão criada por ele estimou o gasto da magistratura com penduricalhos em cerca de R$ 9,8 bilhões, no mesmo período em que o STF decidiu, em março, proibir a licença compensatória conversível em pagamento. Independente disso, os números de 2025 mostram que o problema segue crescendo.

  • Não é coincidência que a confiança no Judiciário também esteja em baixa: segundo pesquisa Datafolha, 38% da população diz não confiar no Poder, e outros 43% confiam pouco. Juntos, os dois grupos somam 81% dos brasileiros.

Por fim, o custo total do Judiciário já representa 1,3% do PIB brasileiro e 2,7% de todo o gasto público do país, um patamar que a série histórica mostra em trajetória de alta desde 2021, mesmo corrigido pela inflação.

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