Quem pretende comprar celular, computador ou equipamentos voltados à produção industrial deve encontrar preços maiores nas próximas semanas. O governo Lula elevou, no começo deste mês, o imposto de importação sobre mais de mil produtos estrangeiros, entre eles smartphones, bens de capital e itens de tecnologia da informação.
A mudança representa um acréscimo de até 7,2 pontos percentuais na cobrança. Com isso, máquinas usadas na indústria e dispositivos de telecomunicação passam a entrar no país com tributação mais alta, o que tende a ser repassado ao consumidor final.
Celulares e notebooks, por exemplo, viram seus impostos saltarem de 14,4% para 20%. A expectativa é que o governo arrecade R$ 14 bilhões neste ano com a medida. (Aprofunde)
O Ministério da Fazenda sustenta que a decisão busca proteger a capacidade tecnológica nacional. De acordo com nota técnica, as compras externas de bens de capital e de informática cresceram 33,4% desde 2022. O ministério também afirma que, em dezembro do ano passado, produtos importados já respondiam por mais de 45% do consumo interno, cenário que, na avaliação do governo, coloca em risco partes da cadeia produtiva brasileira e pode levar a uma perda de capacidade tecnológica difícil de reverter.
Empresas ligadas ao comércio exterior, por outro lado, apontam que a medida reduz a competitividade e pressiona os custos das companhias. Para o setor, a consequência imediata é o aumento de preços e possível impacto na inflação. A iniciativa brasileira ocorre em meio a debates globais sobre barreiras comerciais.
Na sexta-feira (20), a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu que o presidente Donald Trump ultrapassou seus limites ao adotar o chamado “tarifaço”, anulando parte das tarifas impostas a diversos parceiros comerciais.
Em contraste com o caso americano, a Fazenda classifica a decisão brasileira como pontual e moderada. Segundo o governo, o objetivo é enfrentar o que chama de concorrência desigual e diminuir a dependência externa.
O ministério também argumenta que a elevação das tarifas segue práticas adotadas por outros países para lidar com choques internacionais e casos de dumping.
