Enquanto o STF avança no julgamento que pode condenar Bolsonaro e militares de alta patente por tentativa de golpe de Estado, o Congresso se move em outra direção: Acelerar a tramitação de uma proposta de anistia aos envolvidos nos atos de 8/1 — incluindo o ex-presidente.
Liderado por Tarcísio — possível opositor de Lula em 2026 —, o movimento tem “voado” nos bastidores do Congresso. A expectativa é tão grande que parlamentares aliados de Bolsonaro já acreditam ter votos suficientes para ser aprovada.
A discussão, no entanto, está no alcance da medida:
A ala mais radical defende uma anistia ampla, capaz de beneficiar executores e planejadores — o que poderia reverter até a inelegibilidade de Bolsonaro;
Já lideranças do Centrão trabalham por um texto mais calibrado para evitar choque frontal com o STF.
No Senado, o presidente Davi Alcolumbre articula um projeto alternativo que não prevê perdão total, mas sim redução de penas. Na prática, a ideia é alterar a Lei de Defesa do Estado Democrático de Direito para diferenciar participantes dos atos: de quem planejou e financiou aos que apenas estavam presentes e não praticaram vandalismo.
Em resumo: enquanto o STF decide sobre a condenação, a política tenta escrever uma rota paralela — o que pode colocar Judiciário e Legislativo em rota de colisão.
JULGAMENTO DE BOLSONARO – Dia 2
Indo para o Judiciário, na parte da manhã de ontem, a 1ª Turma do Supremo realizou o 2° dia do julgamento de Bolsonaro e dos outros 7 réus.
Abaixo, os principais pontos:
1 -Os advogados de Bolsonaro afirmaram que o ex-presidente é inocente e que não há provas que o liguem aos atos golpistas. A defesa criticou a rapidez do processo e a delação de Mauro Cid, considerada “inconfiável”;
2 -O advogado do ex-presidente ainda afirmou que não vai permitir que o processo se torne uma “versão brasileira e atualizada do emblemático Caso Dreyfus” — entenda mais sobre o assunto aqui;
3 -Já a defesa de Augusto Heleno citou um afastamento dele com o então presidente. Ao mesmo tempo, o advogado do general colocou Moraes numa posição de acusado ao questionar a imparcialidade do ministro;
4 -Segundo ele, “Não existe imparcialidade, porque uma mesma pessoa busca a prova e decide a partir da prova que ela mesma produziu”.
O processo voltará a ser julgado na próxima terça-feira.
