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Agosto Laranja: mês de conscientização sobre a Esclerose Múltipla

31/08/2021 Rádio Vila Maria FM Notícias

O mês de agosto faz um alerta para a conscientização sobre o diagnóstico e tratamento da esclerose múltipla. No Brasil, são estimados mais de 30 mil casos da doença.

O que é a esclerose múltipla?

“A esclerose múltipla é uma doença autoimune, que acomete o sistema nervoso central e geralmente ocorre em indivíduos adultos jovens, tendo como maior prevalência a idade entre 15 e 45 a 50 anos de idade.” explica o médico neurologista do Hospital de Clínicas (HC) de Passo Fundo, Dr. Daniel Lima Varela.

A causa da esclerose múltipla ainda não é completamente conhecida

Embora ainda não seja definida uma causa específica para a esclerose múltipla, considera-se que fatores ambientais podem funcionar como gatilhos, somados à predisposição genética.

“A gente ainda não tem um conhecimento muito exato do porquê a doença se manifesta em determinadas pessoas. O que se sabe é que geralmente ela vai ocorrer em indivíduos que são geneticamente predispostos, que são expostos a algum gatilho. Este gatilho pode ser infeccioso ou um gatilho ambiental, que vai acabar por gerar uma resposta imunológica redundante, fazendo com que os nossos próprios anticorpos acabem por atacar a membrana que envolve os neurônios no cérebro e na medula espinhal.” pontua o médico neurologista.

Sintomas característicos da doença

O surgimento de sinais e sintomas ocorre conforme o local em que a lesão se manifesta no sistema nervoso central. O neurologista Dr. Daniel Varela explica os sintomas mais comuns:

– Visão ‘borrada’ e menos nítida – “O adulto jovem pode apresentar uma perda visual aguda, a maioria das vezes acometendo somente um dos olhos, e em boa parte dos casos ocorre um envolvimento mais proeminente do campo central da visão. Por vezes, pode ocorrer o surgimento de dor à movimentação ocular.”

– Incoordenação motora – “Perda de força em algum membro ou segmento do corpo, alteração sensitiva, que vai se apresentar como dormência, formigamento, dificuldade de coordenação motora para realizar algum movimento fino, para caminhar, para se alimentar, escrever. Por vezes, dificuldade de fala – a fala fica mais enrolada e em certos casos pode ocorrer inclusive uma perda de força nos membros inferiores, que a gente vai chamar de paraparesia, associada ao acometimento da função vesical e, por vezes, intestinal, ocasionando uma urge-incontinência urinária e uma alteração de hábito intestinal.”

Diagnóstico da Esclerose Múltipla

Uma análise criteriosa da apresentação clínica típica da doença é fundamental para o diagnóstico correto. O profissional da área de neurologia irá considerar uma série de exames laboratoriais e de imagem.

“Quando ocorre a apresentação clínica típica da doença, após um exame neurológico criterioso e cuidadoso, o paciente vai ser submetido à investigação complementar com alguns exames que vão nos auxiliar no preenchimento dos critérios diagnósticos. Entre os principais exames: uma investigação laboratorial, na maioria das vezes bastante extensa, para que a gente consiga excluir possíveis diagnósticos diferenciais, estudo por imagem do encéfalo e da medula espinhal que, neste caso, o estudo mais apropriado é a imagem por ressonância magnética e o estudo do líquor que, além de nos ajudar a confirmar o diagnóstico, também tem grande valia na exclusão de possíveis diagnósticos diferenciais.” esclarece Dr. Daniel Varela.

Tratamento e qualidade de vida

A esclerose múltipla não tem cura. Seguir o tratamento adequado conforme as orientações médicas é fundamental para o controle do avanço da EM e para a qualidade de vida do paciente.

“Nosso grande objetivo será o de reduzir a incapacidade, reduzir o surgimento de novas lesões, e por vezes até reduzir a carga lesional até então apresentada e, com isso propiciar uma melhor qualidade de vida ao paciente. Nos dias de hoje, nós temos inúmeras opções terapêuticas disponíveis, cada vez mais eficazes e com perfil de segurança mais controlável. Mas é muito importante frisar que o paciente que realiza tratamento para a esclerose múltipla deve manter o acompanhamento médico neurológico regular, com consultas próximas, para que a gente consiga acompanhar o perfil laboratorial desse paciente e prevenir potenciais complicações.” esclarece.

Investir em hábitos saudáveis também é muito importante para a adaptação ao tratamento, conforme salienta o especialista.

“Além da medicação, é muito importante frisar a necessidade de adquirir hábitos de vida saudáveis, desde uma alimentação balanceada, nutritiva, rica em frutas, legumes e verduras e alimentos anti-inflamatórios, atividade física aeróbica regular, uma adequada higiene do sono, uma atividade altamente intelectualizada, e relações interpessoais. Tudo isso vai ajudar a oferecer uma melhor qualidade de vida e uma melhor adaptação ao tratamento de longo prazo.” finaliza.

Colaboração: Dr. Daniel Varela, médico neurologista no Hospital de Clínicas de Passo Fundo.

Fonte: assessoria de comunicação HC de PF

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