A Associação Gaúcha de Supermercados (AGAS) manifestou preocupação com os impactos do fim da escala de trabalho 6×1 no setor. Segundo a entidade, a mudança poderá elevar os custos com a folha de pagamento entre 17% e 20%, com possibilidade de repasse aos preços dos produtos.
A proposta foi aprovada pelo Senado em dois turnos no dia 14 de outubro e promulgada pelo Congresso Nacional na sexta-feira (16). A mudança assegura dois dias de descanso remunerado por semana e prevê redução da jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial.
Conforme o presidente da AGAS, Lindonor Peruzzo Junior, o impacto sobre a folha dependerá do tamanho dos supermercados e do modelo de funcionamento de cada estabelecimento. Na avaliação dele, as empresas terão dificuldades para absorver os custos adicionais.
A estimativa de 17% a 20% apresentada pela associação se refere às despesas com pessoal, e não ao percentual de aumento dos produtos. A nota não informa uma projeção de reajuste para os consumidores.
Outro ponto de preocupação é a adaptação das equipes durante o período de festas. A entidade argumenta que dezembro concentra grande movimento nas lojas, exigindo reforço no atendimento, em um cenário que, segundo a associação, já apresenta dificuldades para contratação de trabalhadores.
Diante disso, a AGAS defende que o início da nova escala seja adiado para 2027. A entidade pretende atuar em conjunto com a Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) para buscar a alteração do prazo.
Funcionamento aos domingos
A associação também aponta a possibilidade de redução dos horários de atendimento e fechamento de supermercados aos domingos. Segundo uma enquete realizada pela AGAS na manhã de quinta-feira (15), 27% dos associados consultados disseram cogitar suspender as atividades nesse dia. A nota não detalha o número de participantes nem a metodologia do levantamento.
Na avaliação de Peruzzo Junior, a eventual redução do atendimento poderá modificar os hábitos de compra e ampliar a concorrência com lojas de conveniência, farmácias e comércio eletrônico.
A AGAS também anunciou apoio à chamada “PEC do Horista”. Conforme a entidade, a proposta permitiria optar por uma modalidade de contratação baseada nas horas trabalhadas. Para a associação, essa alternativa poderia ampliar a flexibilidade na composição das equipes e oferecer possibilidades de renda adicional dentro da formalidade.
Fonte: AGAS
