Ela se chama Momo e sua aparência é aterrorizante: olhos esbugalhados, pele pálida e um sorriso sinistro. Sua imagem ficou famosa pelo WhatsApp, disseminada como um desafio viral. Mas autoridades e especialistas advertem que pode ser algo muito mais sério do que uma simples distração online.
“Tudo começou em um grupo de Facebook onde os participantes eram desafiados a começar a se comunicar com um número desconhecido”, publicou no Twitter a Unidade de Investigação de Delitos Informáticos do Estado de Tabasco, no México.
O fenômeno se extendeu por todo o mundo, da Argentina aos Estados Unidos, França e Alemanha.
Não está claro o quão disseminado o jogo está no Brasil, mas Rodrigo Nejm, da ONG Safernet, alerta para os riscos. “É mais uma isca usada por criminosos pra roubar dados e extorquir pessoas na internet”, diz.
Dar seu número a um estranho pela internet nunca é uma boa ideia.
O que os pais podem fazer
“Pais devem orientar seus filhos de que é mais um golpe e deixar claro para eles que é importante proteger seus dados pessoais na internet”, diz Nejm.
“Ter domínio do aparelho não significa ter maturidade para reconhecer situações de perigo.”
Nejm diz que, se alguém estiver “conversando” com a Momo e ela pedir algo indevido – se houver uma extorsão ou um pedido de foto, por exemplo -, deve-se salvar a conversa e procurar uma autoridade. Ele adverte que não basta dar “print” na conversa. É preciso exportar a conversa para nós mesmos. O WhatsApp tem uma ferramenta que permite isso.
Ele também sugere que pais consultem o canal de ajuda da ONG, canaldeajuda.org.br, que orienta as pessoas sobre o que fazer em situações de violência online.
Momo é o novo ‘Baleia Azul’?
Alguns comparam o fenômeno Momo com o “Baleia Azul”, um desafio que se tornou viral em abril de 2017 e sobre o qual as autoridades levantaram alertas porque incitava o suicídio.
Assim como Momo, disseminou-se rapidamente pela internet e as redes sociais.
No caso da Momo, seu principal meio de disseminação é o WhatsApp, mas também se popularizou através do jogo Minecraft, que tem mais de mil jogadores por dia.
Trata-se de um desafio bizarro que leva pessoas, em especial crianças, até a casos de sufocamento. O desafio não é brincadeira e tem chamando atenção de muitos pais e educadores sobre os limites para o acesso da internet.
Crianças e adolescentes estão se tornando os principais alvos para crimes virtuais, envolvendo desde chantagens e extorsões até casos extremos como incitação a ações que coloquem suas vidas em risco.
No último dia 16, um menino de nove anos, supostamente teria sido induzido a se enforcar por conta do desafio. Ele foi encontrado desacordado pela mãe no dia 15, no quintal de casa, amarrado a uma árvore por um fio de náilon enrolado no pescoço.
“Fiz manobra e respiração boca a boca, ele começou a vomitar o jantar e os vizinhos que estavam jogando dominó na calçada correram e socorreram ele com o pai”, contou a mãe. A criança foi encaminhada ao hospital local, mas acabou não resistindo e morreu no dia seguinte.
A delegada Thais Galba, do departamento de Polícia da Criança e do Adolescente (DPCA), disse que não tem prazo para conclusão da perícia no celular e tablet do menino e afirma que nenhuma linha de investigação foi descartada. Os pais da criança não acreditam em suicídio.
A polícia investiga outra suposta vítima da boneca Momo, onde um menino de 12 anos foi encontrado com sinais de enforcamento, no bairro de Aldeia, município de Camaragibe. O garoto está internado num hospital particular de Recife.
Segundo as autoridades, os riscos do jogo são roubo de informações pessoais, assédio, extorsão, transtornos físicos e psicológicos (ansiedade, depressão, insônia) e incitação ao suicídio ou à violência.
Algumas escolas particulares de Recife já emitiram comunicados chamando atenção sobre esse tipo de conteúdo. Os pais devem orientar seus filhos de que é mais um golpe e comentar sobre a importância de proteger seus dados pessoais na internet.
