Após o desembarque do covid-19 em território gaúcho no dia 10, a procura por produtos de proteção ao vírus, como máscaras e álcool-gel, em farmácias e lojas de produtos hospitalares, só aumentou. Chega a faltar itens em alguns estabelecimentos. Com a ameaça de uma quarentena, nos supermercados do Rio Grande do Sul, a demanda por produtos de higiene e limpeza já aumentou em 30%, mas não há risco de desabastecimento, garante o presidente da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), Antônio Cesa Longo. Entretanto, o que pode acontecer nos próximos dias, segundo o executivo, é um ou outro problema de reposição nas prateleiras, como o que foi visto em supermercado da Rua dos Andradas, no Centro, neste domingo, em que boa parte dos pacotes de papéis higiênicos e toalha foram vendidos e os produtos não foram repostos.
“Nossa indústria têm altos estoques de papel higiênico. Vai ser reposto em três ou quatro ou cinco dias nos depósitos dos supermercados. Aliás, papel-toalha, guardanapos e lenços de papel”, afirma Longo, que faz questão de tranquilizar os consumidores. “O abastecimento está normal. O que está acontecendo é uma antecipação de compra, mas que certamente vai reverter em queda após o pico da pandemia”, projeta. Nos cinco supermercados visitados hoje pelo Correio do Povo, apenas um apresentava problema com reposição de produtos. Em outro, pacotes que estavam em promoção esgotaram, mas restava ainda de outras marcas, por preço mais elevado. Álcool-gel estava em falta. “Expectativa é de aumento nos preços deste produto. É uma questão de oferta e procura”, defende.
O securitário Jorge Airton Muzzi, 57 anos, que mora no Centro da Capital, no final da tarde deste domingo, comprou no supermercado um pacote com dois rolos de papel-toalha. “Não estamos fazendo estoque. Não tem nada a ver com a doença. Achamos que o momento não é para tanto. Mas se a gente notar que pode faltar algo, podemos também ir num mercado aqui do lado do prédio para iniciar um estoque”, explica. De acordo com Longo, produtos de outros segmentos, como alimentos e água mineral, não faltarão. O presidente da entidade diz desconhecer esta demanda. “O que vai acontecer, é que com algumas escolas parando aulas, teremos dificuldades com trabalhadores e baixas no atendimento. Isso vai gerar filas no açougue, padaria e caixas. Como todas as empresas, os supermercados poderão sentir isso e pedimos compreensão a nossos clientes”, conclui.
Fonte: Correio do Povo
Foto: Ricardo Giusti / CP
