Vila Maria FM

Na pauta: manejo de morcegos. Focos de raiva herbívora são registrados no Estado

29/04/2019 Rádio Vila Maria FM Notícias

O outuno antedece o inverno. A estação mais fria está chegando e com ela a preocupação da população tanto da cidade como do interior, bem como dos órgãos competentes, quanto aos mamíferos voadores que ainda são alvo de muitos mitos: os morcegos.

Agora, porque esse assunto é tão importante? Para ter uma ideia, dezesseis focos de raiva herbívora foram registrados no Estado até 8 de abril, sendo 12 no primeiro trimestre. Técnicos da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr) acompanham a situação na região de Soledade, onde há registro de quatro focos.

A incidência da doença, que é causada por um vírus transmitido por morcegos, abrange nove municípios. Em São Valentim, Muçum, Ibirapuitã, Tio Hugo e Mormaço, mais de 60 animais morreram em 12 propriedades.

Em 2018, o Rio Grande do Sul contabilizou 34 focos de raiva em 24 municípios. No primeiro trimestre, houve sete casos. Os técnicos consideram o aumento verificado agora dentro do esperado, pois a circulação de animais portadores da doença é permanente. As causas da elevação podem ser várias, entre elas fatores que causam desequilíbrios ambientais, como alagamentos, desmatamentos e queimadas.

As ocorrências estão dentro da normalidade dos registros históricos observados no Estado nos últimos 10 anos. O último caso de raiva humana registrado ocorreu há 37 anos. A Seapdr é responsável pelo controle populacional de morcegos hematófagos (que se alimentam de sangue), autorizada por instrução normativa do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) de 2006.

Controle

O controle da raiva herbívora está fundamentado em três medidas, que devem ser adotadas de forma sistemática: vacinação, controle populacional do morcego hematófago Desmodus rotundus (principal transmissor da enfermidade) e atuação em focos. “Se pecuaristas constatarem marcas de mordidas em animais, nossa orientação é que eles procurem o serviço de vigilância em saúde municipal e comuniquem a Inspetoria de Defesa Agropecuária mais próxima”, afirma o secretário Covatti Filho.

A partir de uma comunicação ao serviço oficial, registrando a ocorrência de agressões de morcegos e a presença de animais com sintomatologia nervosa, desencadeia-se uma série de ações para elaboração do diagnóstico situacional, baseando-se na leitura de mordeduras.

Confirmado laboratorialmente o foco de raiva, trabalha-se no sentido de fora para dentro do foco (centrípeta), numa distância de 10 a 15 quilômetros seguindo-se cursos d’água e cadeias de montanhas, a fim de determinar a progressão do foco. Nesta área, por meio da leitura de mordeduras, determina-se a taxa de agressão e são estabelecidas uma série de atividades para conter o foco e interromper sua progressão: vacinação massiva dos animais, revisão de todos os refúgios cadastrados, localização de novos refúgios, captura e combate de morcegos hematófagos, coleta de materiais (cérebros) e de espécimes de morcegos para diagnóstico laboratorial, além de promover educação sanitária por meio de reuniões, palestras, rádio, folders, cartazes etc.

O analista ambiental André Witt, da Seapdr, orienta os proprietários que tiveram contato com o animal doente, num perímetro de 10 quilômetros (delimitado como área do foco), a procurarem a vigilância em saúde do seu município para avaliação do quadro. A vacina contra a raiva em humanos é gratuita e está disponível nos postos de saúde.

Em Tio Hugo, os óbitos dos bovinos foram registrados no interior, na comunidade de Linha Machado, colocando em alerta todo o município. A orientação do posto da Inspetoria Veterinária é que os produtores adquiram as vacinas das casas agropecuárias ou cooperativas e apliquem em seus rebanhos.

Entre os sintomas e características da doença está a mudança de comportamento do animal, agitação, falta de apetite, fraqueza, paralisia dos membros posteriores, salivação abundante, dificuldade de levantar, entre outros sinais. Uma vez iniciados os sinais clínicos não há tratamento e a raiva herbívora é invariavelmente fatal.

Com a confirmação da doença em Tio Hugo, a secretaria municipal de Agricultura e Meio Ambiente solicita aos produtores que fiquem em alerta e que realizem a vacinação preventiva, não somente do rebanho, mas também de cães e gatos.

Na semana passada o Agente de Campo da Vigilância Ambiental em Saúde, da Prefeitura de Vila Maria, André Uczai, esteve no estúdio da Rádio Vila Maria FM, falando sobre o manejo dos morcegos no município.

 

Cadastre o seu aniversário

Cadastre-se no formulário e comemore o seu aniversário com a gente!


Isso vai fechar em 0 segundos