Vila Maria FM

Transplante de medula óssea: um ato simples que pode salvar a vida de alguém

27/08/2018 Rádio Vila Maria FM Notícias

Thiago Marini Wilfer está lutando contra o tempo para achar um doador de medula 100% compatível. Ele precisa urgentemente fazer o transplante. A única alternativa de cura é essa. Ele mora em Sorocaba/SP, é casado com Marina e com ela tem três filhos, a Bianca, o Nícolas e o Matteo.

Dos cânceres do sangue, a leucemia é um dos mais conhecidos. Tudo começa na medula óssea, líquido gelatinoso que ocupa o interior dos ossos que produz os componentes do sangue: hemácias (ou glóbulos vermelhos, responsáveis pelo oxigênio de nosso organismo), leucócitos (ou glóbulos brancos, que combatem as infecções) e plaquetas (responsáveis pela coagulação do sangue, evitando hemorragias).

A leucemia acontece quando os glóbulos brancos perdem a função de defesa e passam a se produzir de maneira descontrolada. No Brasil, atualmente a leucemia é o 9º câncer mais comum entre os homens e o 11º entre as mulheres.

Para se tornar um doador de medula óssea é necessário:

– Ter entre 18 e 55 anos de idade.
– Estar em bom estado geral de saúde.
– Não ter doença infecciosa ou incapacitante.
– Não apresentar doença neoplásica (câncer), hematológica (do sangue) ou do sistema imunológico.
– Algumas complicações de saúde não são impeditivas para doação, sendo analisado caso a caso.

Como fazer o cadastro?

– Procure o hemocentro mais próximo (em Passo Fundo o cadastro pode ser feito);

– O voluntário à doação irá assinar um termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE), e preencher uma ficha com informações pessoais. Será retirada uma pequena quantidade de sangue (5mils) do braço do candidato a doador. É necessário apresentar o documento de identidade;

– O seu sangue será analisado por exame de histocompatibilidade (HLA), um teste de laboratório para identificar suas características genéticas que vão ser cruzadas com os dados de pacientes que necessitam de transplantes para determinar a compatibilidade;

– Os seus dados pessoais e o tipo de HLA serão incluídos no Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME);

– Quando houver um paciente com possível compatibilidade, você será consultado para decidir quanto à doação. Por este motivo, é necessário manter os dados sempre atualizados;

– Para seguir com o processo de doação serão necessários outros exames para confirmar a compatibilidade e uma avaliação clínica de saúde;

– Somente após todas estas etapas concluídas o doador poderá ser considerado apto e realizar a doação;

O transplante de medula óssea pode beneficiar o tratamento de cerca de 80 doenças em diferentes estágios e faixas etárias. O fator que mais dificulta a realização do procedimento é a falta de doador compatível, já que as chances de o paciente encontrar um são de 1 em cada 100 mil pessoas, em média.

Além disso, o doador ideal (irmão compatível) só está disponível em cerca de 25% das famílias brasileiras – para 75% dos pacientes é necessário identificar um doador alternativo a partir dos registros de doadores voluntários, bancos públicos de sangue de cordão umbilical ou familiares parcialmente compatíveis (haploidênticos).

O voluntário pode ser chamado para efetuar a doação com até 60 anos de idade.

No caso do Thiago, a única chance dele voltar a ter uma vida normal é o transplante. Ele fará em pouco mais de um mês, mesmo que não ache um doador 100% compatível. Nesse caso, a doadora será a sua irmã que é 50%, mas aí a chance de dar certo cai para 40%. 

Quanto ao doador, em 15 dias a sua medula óssea estará inteiramente recuperada. Fazer o cadastro é um ato de amor e solidariedade. Se você não for compatível com o Thiago poderá ser com outra pessoa em qualquer lugar do mundo.

A Rádio Vila Maria FM abriu espaço para a esposa de Thiago. Marina contou o drama da família e falou sobre a importância do cadastro.

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