Desde o início de 2017 a Febre Amarela vem preocupando as autoridades da saúde, especialmente em São Paulo e Minas Gerais. Em Dezembro, a morte de um morador da mata que fica bem ao lado de Ribeirão Preto, disparou o alerta, ainda mais com a confirmação do diagnóstico.
Toda a mídia repercutiu os casos de Minas Gerais. A doença permanece restrita à regiões de mata, sem relatos de casos urbanos desde 1942, mas nos últimos anos, houve uma aproximação de grandes centros urbanos.
Com isso, as áreas de risco vem sendo ampliadas e a recomendação de vacinação hoje engloba mais de metade do território nacional. Essa informação é essencial, pois você pode não estar em um estado de risco, especialmente em época de férias é interessante saber se o local onde você vai viajar está na lista.
O que é a doença?
A febre amarela é uma doença infecciosa aguda, de curta duração (no máximo 10 dias), gravidade variável, causada pelo vírus da febre amarela, que ocorre na América do Sul e na África.
Quais os sintomas?
Os sintomas são: febre, dor de cabeça, calafrios, náuseas, vômito, dores no corpo, icterícia (a pele e os olhos ficam amarelos) e hemorragias (de gengivas, nariz, estômago, intestino e urina).
Como é trasmitida?
A febre amarela é transmitida pela picada dos mosquitos transmissores infectados. A transmissão de pessoa para pessoa não existe. O problema é que a Febre Amarela, na região urbana, é transmitida pelo intrépido Aedes, aí você imagina se ela chegar nas cidades o que pode acontecer.
Qual o tratamento?
Não existe nada específico. O tratamento é apenas sintomático e requer cuidados na assistência ao paciente que, sob hospitalização, deve permanecer em repouso com reposição de líquidos e das perdas sanguíneas, quando indicado. Nas formas graves, o paciente deve ser atendido numa Unidade de Terapia Intensiva. Se o paciente não receber assistência médica, ele pode morrer.
Como prevenir a Febre Amarela? Quem deve ser vacinado?
A única forma de evitar a febre amarela silvestre é a vacinação contra a doença. A vacina é gratuita e está disponível nos postos de saúde em qualquer época do ano. Ela deve ser aplicada 10 dias antes da viagem para as áreas de risco de transmissão da doença. Pode ser aplicada a partir dos 9 meses e é válida por 10 anos. A vacina é contra-indicada a gestantes, imunodeprimidos (pessoas com o sistema imunológico debilitado) e pessoas alérgicas a gema de ovo.
Nos casos de locais onde estão tendo casos e se o bebê vive na zona rural de uma área de risco, a vacina pode ser aplicada a partir dos 6 meses.
A vacina contra febre amarela não deve ser administrada no mesmo dia que a vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) devido ao risco de interferência e diminuição de imunogenicidade. Recomenda-se que estas vacinas sejam aplicadas com intervalo de 30 dias entre elas.
A vacinação é indicada para todas as pessoas que vivem em áreas de risco para a doença (zona rural da Região Norte, Centro Oeste, estado do Maranhão, parte dos estados do Piauí, Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), onde há casos da doença em humanos ou circulação do vírus entre animais (macacos).
Orientações para a vacinação:
* Crianças de 6 meses a 9 meses de idade incompletos: a vacina está indicada somente em situações de emergência epidemiológica, vigência de surtos, epidemias ou viagem inadiável para área de risco de contrair a doença.
* Crianças de 9 meses até 4 anos 11 meses e 29 dias de idade: administrar 1 dose aos 9 meses de idade e 1 dose de reforço aos 4 anos de idade, com intervalo mínimo de 30 dias entre as doses.
* Pessoas a partir de 5 anos de idade, que receberam uma dose da vacina antes de completar 5 anos de idade: administrar uma única dose de reforço, com intervalo mínimo de 30 dias entre as doses.
* Pessoas a partir de 5 anos de idade, que nunca foram vacinadas ou sem comprovante de vacinação: administrar a primeira dose da vacina e, 10 anos depois, 1 dose de reforço.
* Pessoas a partir dos 5 anos de idade que receberam 2 doses da vacina: considerar vacinado. Não administrar nenhuma dose.
* Pessoas com 60 anos e mais, que nunca foram vacinadas ou sem comprovante de vacinação: o médico deverá avaliar o benefício e o risco da vacinação, levando em conta o risco da doença e o risco de eventos adversos nessa faixa etária ou decorrentes de comorbidades.
* Gestantes, independentemente do estado vacinal: a vacinação está contraindicada. Na impossibilidade de adiar a vacinação, como em situações de emergência epidemiológica, vigência de surtos, epidemias ou viagem para área de risco de contrair a doença, o médico deverá avaliar o benefício e o risco da vacinação.
* Mulheres que estejam amamentando crianças com até 6 meses de idade, independentemente do estado vacinal: a vacinação não está indicada, devendo ser adiada até a criança completar 6 meses de idade. Na impossibilidade de adiar a vacinação, como em situações de emergência epidemiológica, vigência de surtos, epidemias ou viagem para área de risco de contrair a doença, o médico deverá avaliar o benefício e o risco da vacinação. Em caso de mulheres que estejam amamentando e receberam a vacina, o aleitamento materno deve ser suspenso preferencialmente por 28 dias após a vacinação (com um mínimo de 15 dias).
Viajantes
* Viagens internacionais: seguir as recomendações do Regulamento Sanitário Internacional (RSI).
* Viagens para áreas com recomendação de vacina no Brasil: vacinar, pelo menos 10 dias antes da viagem, no caso de primeira vacinação. O prazo de 10 dias não se aplica no caso de revacinação.
Quem não pode tomar a vacina?
• Crianças com menos de 6 meses de idade.
• Pacientes com imunossupressão de qualquer natureza, como:
– Pacientes infectados pelo HIV com imunossupressão grave, com a contagem de células CD4
– Pacientes em tratamento com drogas imunossupressoras (corticosteroides, quimioterapia, radioterapia, imunomoduladores).
– Pacientes submetidos a transplante de órgãos.
– Pacientes com imunodeficiência primária.
– Pacientes com neoplasia.
Obs: Nos casos de pacientes com imunodeficiência, a administração desta vacina deve ser condicionada a avaliação médica individual de risco-benefício e não deve ser realizada em caso de imunodepressão grave.
• Indivíduos com história de reação anafilática relacionada a substâncias presentes na vacina (ovo de galinha e seus derivados, gelatina e outros produtos que contêm proteína animal bovina).
• Pacientes com história pregressa de doenças do timo (miastenia gravis, timoma, casos de ausência de timo ou remoção cirúrgica).
Fonte do Texto: Portal do Ministério da Saúde.
