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Vila Maria FM

Pesquisadores debatem relação entre câncer de mama, obesidade e canetas emagrecedoras

30/10/2026 Rádio Vila Maria FM Notícias
Tema foi tratado no Grand Round- evento organizado semanalmente para troca de conhecimento e experiências- que contou com  pesquisadores da Oncologia e da Endocrinologia do HCPA
 
Um evento realizado no Hospital de Clínicas procurou responder perguntas importantes para mulheres que estão enfrentando um câncer de mama ou que apresentam obesidade: as chamadas canetas emagrecedoras têm relação com o câncer? Ou usá-las pode ser benéfico? O Cerca de 30% dos casos de câncer podem ser evitados com mudanças no estilo de vida – e tratar a obesidade é uma das principais, já que ao menos 4% dos casos podem ser atribuídos ao excesso de peso, sendo mulheres na menopausa com obesidade mais predispostas ao câncer de mama. Pacientes obesos apresentam piores respostas ao tratamento quimioterápico e de outras formas de tratamento contra o câncer e apresentam mais complicações, o que compromete o sucesso do tratamento. Por outro lado, estudos que acompanharam mulheres ao longo de 24 anos constataram redução de até 57% de risco de ter câncer de mama nas que perderam 10% do peso. “Qualquer atividade física é benéfica, mesmo que ela não seja intensiva”, afirma o professor do Serviço de Endocrinologia Fernando Gerchman.   
 
Canetas x câncer – o uso das canetas emagrecedoras, além de não ter relação com o aparecimento do câncer, também pode ser benéfico para os pacientes, conforme demonstraram estudos apresentados no evento. Uma revisão em 28 estudos encontrou 25 achados favoráveis ao uso. A redução da mortalidade pode chegar a 30% naquelas que foram avaliadas com mamografia em um grande estudo observacional.
 
A professora do Serviço de Oncologia do HCPA Daniela Rosa destacou a perda de peso e mais sobrevida como benefícios trazidos para as pacientes que trataram a obesidade com as canetas. “Elas são benéficas, especialmente para pacientes com diabetes tipo 2,  mas devemos atentar para possíveis contraindicações, como no caso  de pacientes que possuem  sarcopenia ou caquexia” afirmou. Embora as canetas também diminuam a recidiva, elas não devem ser usadas com este fim. “Não se deve prescrever as canetas para diminuir a recorrência, e sim quando há indicação metabólica para seu uso”, completou. Atividade física e exames de mamografia anuais ainda são os maiores aliados no combate ao câncer.
 
Gordura das mamas – no Grand Round também foi apresentada a dissertação de mestrado da médica radiologista Bárbara Nedel, sob orientação do professor Fernando Gerchman, que propõe que as mamas sejam consideradas um novo órgão endócrino. A partir da análise de mamografias de rotina, o estudo demonstrou que a gordura nesta parte do corpo impacta o metabolismo na fase da pós menopausa: as mulheres que tinham mais gordura nas mamas também apresentaram piores níveis de glicemia e prejuízo na ação da insulina. A gordura mamária seria também um preditor para hiperglicemia e síndrome metabólica. Chama a atenção no estudo que, mesmo nas mulheres com mamas mais densas, a gordura mamária se associou à piora de problemas metabólicos. Essas mesmas mulheres têm mais risco de câncer de mama. “Identificamos uma possível conexão entre obesidade, diabetes e câncer de mama. determinada pela composição das mamas e seu conteúdo de gordura pela primeira  vez e por um estudo conduzido no Brasil. Precisamos avançar e entender melhor essa relação agora que demonstramos esses resultados”, afirma Gerchman.
 
A íntegra do Grand Round pode ser conferida neste link: https://www.youtube.com/live/OpU6zq2CWtY
 
Fonte: HCPA

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