Os candidatos à Presidência assinaram ontem no TSE um acordo para abrir seus sigilos bancário, fiscal e telefônico, além dos sigilos de seus parentes e empresas.
Resumo da Ópera: Caso você não se lembre dessa partida de truco, o caso começou no debate da Band, quando Lula lançou o desafio. O atual presidente ofereceu abrir o sigilo de toda sua família, caso Flávio concordasse em fazer o mesmo.
Após pressão de Lula e muitas #AbreOSigiloFlavio, o senador topou, mas impôs 19 novas condições. Entre elas estavam adicionar o ex-chefe de gabinete de Lula — o Marcola —, na lista, além de gastos no cartão corporativo e registros de visitas ao Palácio do Planalto.
Em resposta, a campanha do presidente aceitou todas as condições e protocolou ao TSE o texto. Foi assim que, ontem à tarde, o TSE viu os dois lados selarem um dos últimos atos de campanha dos candidatos. O acordo final autorizou a quebra de:
- 15 pessoas. Pelo lado de Lula: ele, Janja, os 5 filhos e Marcola. Pelo lado de Flávio: ele, sua esposa, seus pais e seus 3 irmãos.
- 6 empresas: a L.I.L.S. Palestras, de Lula, e 5 ligadas a Flávio (incluindo a Alcazar Holdings, registrada fora do Brasil).
Na sequência, a advogada de Flávio disse que o senador só apresentaria os documentos dele depois de conferir os de Lula, com ajuda do ex-procurador da Lava Jato, Deltan Dallagnol.
O que está em jogo para cada um dos lados?
A campanha de Flávio enxerga a proposta como uma medida para atrair manchetes e gerar mídia. O candidato também aponta que os sigilos não seriam “honestos”, já que Lula não usa telefone, gasta via cartão corporativo e já foi investigado por ocultação de patrimônio, além de ter sido condenado e preso por lavagem de dinheiro.
Para Lula, a quebra do sigilo já é tratada pela campanha como um dos principais temas da eleição. Isso porque uma possível recusa por parte de Flávio pode ser usada para criticar o candidato — que já foi investigado pela PF por suposta lavagem de dinheiro. Além disso, seus aliados afirmam que “quem não deve, não teme”.
Com as autorizações em mãos, o ministro André Mendonça, relator do caso, pediu até meia-noite os dados ao Banco Central à Receita e às operadoras de telefonia. O ministro também disse que os candidatos não precisam de autorização e podem abrir o sigilo por conta própria.
Até o momento, os dados ainda não foram publicados no site do TSE. Hoje, os dois candidatos devem se encontrar novamente no debate da Globo, previsto para 21:40.
