A sala de vacinas do município de Vila Maria contabilizou até a tarde desta sexta-feira, dia 22 de maio, 1.334 pessoas imunizadas contra a gripe. A procura mais baixa tem sido por parte das crianças enquanto os idosos tem sido os que mais vão em busca da vacina. Ontem, o município havia recebido mais 180 doses, e todas foram aplicadas até o início da tarde desta sexta-feira.
De acordo com a técnica de enfermagem Sidônia Zabot, responsável pela sala de vacinas, não há mais doses por enquanto. Normalmente o município imuniza em torno de 2.200 pessoas todos os anos. Este ano, as doses têm vindo de maneira “parcelada”, o que também tem gerado uma procura menor.
É muito importante que as pessoas que fazem parte dos grupos preferenciais, procurem se vacinar, pois de acordo com boletim divulgado pela Fiocruz, as hospitalizações por influenza A continuam aumentando Estado, que aparece em nível de alerta no Boletim InfoGripe, divulgado pela Fiocruz nesta semana.
O estudo, referente à Semana Epidemiológica 19, período de 10 a 16 de maio, aponta aumento do número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no país. Conforme o boletim, a incidência de SRAG se mantém mais elevada nas crianças pequenas e está associada principalmente ao vírus sincicial respiratório (VSR), enquanto o aumento nas demais faixas etárias tem sido impulsionado pela influenza A.
As hospitalizações por influenza A continuam aumentando no Estado, assim como também ocorre em Paraná e Tocantins. Nos demais estados, seguem com tendência de queda ou interrupção do crescimento.
Porto Alegre também foi incluída entre as 16 capitais que apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a Semana 19:
“Diante da alta atividade dos vírus influenza A e VSR, é essencial que a população elegível esteja vacinada contra esses vírus. E mesmo com a baixa circulação da Covid-19, também é importante que a população de risco esteja em dia com as doses de reforço da vacina contra o vírus, já que ele ainda é uma causa importante de óbitos por SRAG entre os idosos”, ressalta a pesquisadora Tatiana Portella, do Boletim InfoGripe, produzido pelo Programa de Computação Científica da Fiocruz.
Dados epidemiológicos
O cenário atual, em nível nacional, aponta crescimento de SRAG nas tendências de longo prazo (últimas seis semanas) e de curto prazo (últimas três semanas). Referente ao ano epidemiológico 2026, foram notificados 63.634 casos de SRAG, sendo 29.517 (46,4%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 23.594 (37,1%) negativos e cerca de 6.014 (9,5%) aguardando resultado laboratorial.
Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a proporção entre os casos positivos foi de 24,5% de influenza A, 4,4% de influenza B, 44,5% de vírus sincicial respiratório, 24,4% de rinovírus e 2,6% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Entre os óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos e no mesmo recorte temporal foi de 51,8% de influenza A, 4% de influenza B, 11,4% de vírus sincicial respiratório, 15,4% de rinovírus e 11,8% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Dentre os casos positivos do ano corrente, observou-se 26% de Influenza A, 2,4% de influenza B, 27,4% de vírus sincicial respiratório, 35% de rinovírus e 6,9% de Sars-CoV-2 (Covid-19).
A incidência e a mortalidade semanais médias, nas últimas oito semanas epidemiológicas, mantêm o padrão característico de maior impacto nos extremos das faixas etárias analisadas. A incidência de SRAG é mais elevada nas crianças pequenas e está associada principalmente ao VSR. Já a mortalidade é maior entre os idosos, liderado pela influenza A.
Em relação aos casos de SRAG por influenza A, a incidência tem apresentado maior impacto em menores de 2 anos, enquanto a mortalidade tem maior impacto na população a partir de 65 anos de idade.
Os dados de resultados laboratoriais por faixa etária mostram que o aumento dos casos de SRAG em crianças até 4 anos tem sido impulsionado principalmente pelo VSR, enquanto o aumento de SRAG nas demais faixas. A incidência de SRAG por Covid-19 segue em baixa em todas as faixas etárias.
