Após acompanhar 926.362 mulheres jovens na Suécia, um estudo publicado no British Medical Journal descobriu que a vacina de HPV reduz drasticamente o risco de câncer do colo do útero (cervical).
Você deve estar pensando: “Ok, mas qual é a novidade?”. A novidade é que essa proteção não diminuiu com o passar do tempo.
Contextualizando…
O HPV — ou papilomavírus humano — é um grupo de mais de 200 vírus que infectam pele e mucosas, sendo transmitidos principalmente por contato sexual direto.
- Alguns tipos causam verrugas benignas;
- Outros são considerados de alto risco por estarem associados ao desenvolvimento de câncer, especialmente o do colo do útero.
Após a infecção, o vírus pode permanecer silencioso por anos, sem causar sintomas, o que dificulta sua identificação precoce.
Nos casos persistentes, o HPV pode induzir alterações nas células infectadas, levando a mutações que favorecem o crescimento descontrolado e a formação de tumores.
A maioria das infecções é eliminada naturalmente pelo sistema imunológico, mas uma parcela evolui de forma progressiva e potencialmente grave.
O que diz o novo artigo?
Após um acompanhamento médio de 18 anos (de 1995 até 2023), não houve sinais significativos de que a proteção da vacina diminua com o tempo.
- Mais especificamente, mulheres vacinadas antes dos 17 anos apresentaram um risco 79% menor de desenvolver câncer cervical invasivo em comparação às não vacinadas.
- Mesmo após 13 a 15 anos da aplicação do imunizante, a redução de risco permaneceu em torno de 77%.
No Brasil, o HPV permanece altamente prevalente, com infecção genital em cerca de 54,4% das mulheres e 41,6% dos homens sexualmente ativos.
Estima-se que entre 9 e 10 milhões de brasileiros estejam infectados, com cerca de 700 mil novos casos por ano. O vírus está relacionado a mais de 23 mil novos casos anuais de câncer no país, especialmente de colo do útero.
Apesar disso, o Brasil avançou na vacinação, alcançando mais de 82% de cobertura em meninas e ampliando a proteção populacional. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece a vacina gratuitamente para meninas e meninos de 9 a 14 anos, faixa etária ideal por garantir imunização antes do início da vida sexual.
Pessoas imunossuprimidas, transplantadas ou vivendo com HIV podem receber a vacina até os 45 anos. Clínicas particulares também oferecem a vacina para quem estiver fora dessas faixas etárias.
PS: Para quem quiser se aprofundar no assunto, aqui está o artigo científico original completo.
