A cena é improvável, mas real. Ruas desertas, passos lentos e corpos curvados descrevem o cotidiano de Matanzas, cidade cubana que ganhou o apelido de “cidade de zumbis”. A metáfora, usada por uma jornalista local, descreve o estado de saúde de milhares de cidadãos, que convivem com febres, dores articulares e exaustão extrema.
Por trás desse cenário, está a disseminação simultânea de três doenças virais transmitidas por mosquitos: Dengue, Chikungunya e Oropouche.
Sobre as condições
A dengue é provocada por um flavivírus e pode evoluir para formas hemorrágicas, com risco de morte.
A chikungunya, causada por um alfavírus, é conhecida por deixar dores articulares que duram semanas ou meses.
Já o oropouche, originado por um vírus do gênero Orthobunyavirus, pode afetar o sistema nervoso e causar inflamações no cérebro.
Todas são transmitidas por mosquitos — como o Aedes aegypti ou o Culicoides paraensis — e tendem a espalhar-se rapidamente em áreas sem saneamento básico adequado.
O contexto cubano
O problema se agrava por um fator determinante: o colapso do sistema de saúde cubano, que enfrenta falta de medicamentos e apagões frequentes.
Em apenas sete dias, os casos de chikungunya subiram 71% em Cuba, de acordo com o Ministério da Saúde do país. Inclusive, a própria Organização Pan-Americana da Saúde estimou mais de 25 mil casos no período.
Segundo dados oficiais, pelo menos 47 pessoas morreram por complicações relacionadas às 3 doenças. No entanto, médicos e ativistas afirmam que esse número pode ser muito maior — já que muitos óbitos são atribuídos a outras causas ou sequer são registrados.
O que está em jogo
De modo geral, as 3 doenças têm sintomas similares e, em muitos casos, sequelas que se prolongam por semanas.
* A dengue, por exemplo, pode evoluir para formas hemorrágicas;
* Já a chikungunya é famosa por deixar dores articulares crônicas;
* O oropouche, embora menos conhecido, provoca febres altas e pode desencadear encefalite;
Na prática, o desmatamento, mudanças climáticas e a urbanização desordenada ampliam o contato entre humanos e vetores, criando o cenário ideal para epidemias.
Quando o sistema de saúde entra em colapso, o ciclo se intensifica — transformando uma condição relativamente tratável em uma emergência de saúde pública.
