Todo mundo tem um amigo que adora “torrar” o cartão com festas dentro e fora de casa. Bom, a situação do governo federal é mais ou menos parecida. O país vive o “déficits gêmeos”, nome técnico que indica quando o governo gasta mais do que arrecada e manda mais dólares para fora do que recebe.
Começando pelos dados internos, o déficit nominal — soma das despesas do governo, incluindo o que se gasta só para pagar juros — bateu 7% do PIB em 12 meses, puxado pela Selic em 15% ao ano.
A dívida pública bruta já representa quase 80% da economia, 6 p.p. a mais desde o início do governo Lula III. Em termos mais práticos, isso significa que uma fatia crescente do orçamento vai só para manter a dívida em dia.
Já em relação ao exterior, o rombo também se ampliou. O déficit em conta corrente — diferença entre o que o Brasil recebe e o que paga em comércio, serviços e transferências — saltou de 1,4% para 3,5% do PIB em um ano. Importações em alta, balança comercial abaixo do esperado e aumento das remessas de lucros para fora explicam parte dessa conta.
O resultado dos déficits gêmeos é uma combinação indigesta: juros altos para segurar a inflação e financiar a dívida, menor espaço para investimentos públicos e um real mais vulnerável às pressões externas.
O quadro tem sido comparado ao 2° mandato de Dilma, quando o Brasil entrou em recessão. Na prática, significa que o país vive no “cheque especial” — e com uma das taxas de juros mais altas do mundo.
