2×0 no placar. Depois de dois dias de “leituras burocráticas” na semana passada, o julgamento de Bolsonaro e dos outros 7 réus voltou ontem com os votos de Moraes e Dino condenando o ex-presidente.
O primeiro a falar foi Moraes, relator do caso. Em discurso de mais de 5h, o ministro comparou os réus a “terroristas” e “delinquentes do PCC” e destacou que Bolsonaro liderou uma organização criminosa que tinha por objetivo impedir a posse de Lula após a eleição de 2022.
“Nós estamos esquecendo aos poucos que o Brasil quase voltou a uma ditadura que durou 20 anos porque um grupo político não sabe perder eleições”. (Alexandre de Moraes).
Entre os argumentos citados, o ministro ainda destacou:
* As minutas de decretos golpistas, que incluíam prisão de ministros e intervenção no TSE;
* Os atos violentos, como a bomba em um caminhão em dezembro de 2022 e a invasão de 8/1;
* O discurso de Bolsonaro em 7 de setembro de 2021, quando o então presidente disse que só deixaria o cargo “morto, preso ou com a vitória”.
À tarde, Dino ampliou o placar ao dizer que crimes contra o Estado Democrático de Direito não podem ser objeto de indulto ou anistia.
A reação da direita e dos EUA
Como resposta, o senador Flávio Bolsonaro acusou Moraes de agir com parcialidade ao dizer que o ministro votou como um político cheio de ódio, parecendo “o líder do PT no Supremo”.
O resultado ultrapassou Brasília e chegou até a capital americana. De acordo com a Casa Branca, os EUA “não têm medo de usar meios econômicos nem militares para proteger a liberdade de expressão ao redor do mundo”.
O próximo a votar será Luiz Fux, com voto que deve ser anunciado ainda nesta manhã.
