O torcedor colorado não tem mais de onde tirar paciência. Houve apoio, alento e aumento no quadro social. O Internacional, porém, vendeu ao torcedor algo que não existe. O clube trouxe uma enxurrada de reforços e formou um elenco galáctico para conquistar o estadual.
Esse foi, inclusive, o discurso do presidente do clube do povo, Alessandro Barcellos, quando declarou que estava na hora de colher o que foi plantado durante os três primeiros anos no comando do clube. Porque agora o Internacional vai voltar a ser o Internacional.
Tudo isso pelo ruralito? É verdade que, para os clubes do interior, há tamanha importância no Campeonato Gaúcho. Receber a dupla Gre-Nal atrai os torcedores da região, bilheterias esgotam, enfim, traz receita aos clubes que buscam competir pelo estado e Brasil afora. A verdade, porém, é que para a dupla da capital, o charmoso, como a imprensa ama falar, pouco agrega. Poderia ser chamado de pré-temporada, porém, uma pré-temporada não demite jogadores e técnicos, muito menos cria crise desnecessária.
O Inter anda com pensamento minúsculo, bem como seu co-irmão. A aldeia vive uma ideia na qual ganhar o estadual e o clássico do ano está de bom tamanho. Pouco importa se vencer algum título expressivo.
O lado vermelho da capital dos gaúchos está mais preocupado nos últimos anos com o rival do que consigo. O desespero do torcedor está se apossando dos dirigentes e isso é um problema enorme. Os papeis de torcedores e dirigentes, embora torçam pelo mesmo lado, são totalmente diferentes. O torcedor tem um único papel: torcer. O dirigente, por sua vez, precisa ser o administrador de uma empresa, na qual, embora seja movida pela paixão dos torcedores, precisa de planejamento, comprometimento e cautela.
Barcellos foi político. Prometeu e não cumpriu, vendeu algo que não existe. O clube do povo ser campeão gaúcho não vai fazer o Internacional voltar a ser o Internacional. O Inter é maior do que isso, inclusive, o charmoso é ilusório, pois quando o colorado não foi campeão estadual, foi campeão do mundo, quando o Grêmio foi campeão estadual, acabou rebaixado. Nada é garantido e ganhar o estadual não vai trazer o título da Copa Sul-Americana, Copa do Brasil e Brasileiro em sequência.
Todo o discurso criou uma crise desnecessária e a pergunta que fica é: como apagar o incêndio? Te vira, Barcellos. O desespero do torcedor está explícito na diretoria colorada, que não sabe para que lado se atira e leva laço atrás de laço da imprensa. Agora todo mundo é ruim, ninguém presta, o técnico tem que ser mandado embora, o Robert Renan é o principal culpado e o Maurício é só um garoto que não tem a cabeça no lugar. Muito vago para quem dirige o futebol.
Há culpados e erros a serem corrigidos, inclusive, Barcellos iniciou muito bem o movimento de mostrar que haverá cobrança interna no clube. É o mínimo que se espera com a estrutura, folha salarial, história e camisa que o Internacional possui. Quem trabalha no futebol precisa entender que não se cria expectativa em vão. Não se cria incêndio sem possuir um extintor.
Nem todo mundo é horrível e no futebol é fundamental entender o trabalho de longo prazo, embora no Brasil trata-se tudo com extremos. Ganhou tá bom, perdeu tá ruim. Coudet é um bom técnico e possui peças das quais não puderam ser utilizadas por questões de regulamento e lesões na decisão contra o Juventude. Com o elenco em mãos, paciência, trabalho e cautela, é possível, no mínimo, brigar por algo.
Barcellos deve manter Chaco no comando técnico e, embora o desejo de título do torcedor seja para ontem, é necessário entender que há processos a serem tomados. Continuar indo ao estádio, apoiando a equipe, que é o papel do torcedor – e que anda fazendo. A batata está na mão da diretoria colorada que precisa parar de vender o que não existe a uma torcida angustiada com a ausência de conquistas. Pode-se dizer que o resumo da ópera é falar menos e trabalhar mais.
Texto: Felipe Matiasso
Oferecimento: Contabilidade Bernardi, Borracharia do Girico e Posto Toffoli.
