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Vacina da brucelose é obrigatória. Atestado deve ser apresentado na Inspetoria Veterinária

04/01/2024 Rádio Vila Maria FM Notícias

A vacinação contra a brucelose é obrigatória em todas as fêmeas bubalinas e bovinas, entre 3 e 8 meses de idade. Somente o médico veterinário pode vacinar os animais contra a brucelose e emitir o atestado de vacinação, que deve ser apresentado na Inspetoria Veterinária do município.

É lei e o produtor que não vacinar seus animais será autuado e não poderá realizar emissão de GTA e declaração de conformidade. Na venda de animais é obrigatório realizar os testes de tuberculose e brucelose.

Mais informações pelo 54 3359-1200.

 

BRUCELOSE BOVINA E BUBALINA

Definição

A brucelose é uma doença infectocontagiosa de caráter crônico causada por bactérias do gênero Brucella, que acomete diversas espécies de animais e o homem. Sendo uma zoonose de distribuição mundial, acarreta problemas sanitários e prejuízos econômicos importantes. A brucelose bovina e bubalina é causada pela Brucella abortus.

Etiologia

As bactérias do gênero Brucella são parasitas intracelulares facultativos, com morfologia de cocobacilos Gram-negativos, imóveis; podem apresentar-se em cultivos primários com morfologia colonial lisa ou rugosa (rugosa estrita ou mucóide). Essa morfologia está associada à composição bioquímica do lipopolissacarídeo da parede celular, e para algumas espécies têm relação com a virulência. B. abortus, B. melitensis e B. suis normalmente apresentam uma morfologia de colônia do tipo lisa; quando evoluem para formas rugosas ou mucóides, deixam de ser patogênicas. Embora os bovinos e bubalinos sejam suscetíveis à B. suis e B. melitensis, a espécie mais importante é a B. abortus, responsável pela grande maioria das infecções.

Transmissão

A principal fonte de infecção é representada pela vaca prenhe, que elimina grandes quantidades do agente no parto ou aborto e em todo o período puerperal (até, aproximadamente, 30 dias após o parto), contaminando as pastagens, a água, os alimentos e os fômites. Essas bactérias podem permanecer viáveis no meio ambiente por longos períodos, dependendo das condições de umidade, temperatura e sombreamento, ampliando de forma significativa a chance de o agente entrar em contato e infectar um novo indivíduo suscetível.

A porta de entrada mais importante é o trato digestivo, sendo que a infecção se inicia quando um animal suscetível ingere água e alimentos contaminados ou pelo hábito de lamber os bezerros recém-nascidos. Um animal também pode adquirir a doença ao cheirar fetos abortados, pois a bactéria também pode entrar pelas mucosas do nariz e dos olhos. Além disso, as fêmeas prenhes podem infectar suas crias no útero, durante ou logo após o parto.

A transmissão pela monta natural não possui grande importância entre bovinos e bubalinos, pois o sêmen é depositado na vagina da fêmea, onde há células de defesa que dificultam o processo de infecção. Contudo, a inseminação artificial constitui uma importante via de transmissão e forma de difusão da doença nos rebanhos se utilizado sêmen de machos infectados, pois é introduzido diretamente no útero.

A principal forma de entrada da brucelose em uma propriedade é pela introdução de animais infectados. Quanto maior a frequência de introdução de animais, maior o risco de entrada da doença no rebanho. Por essa razão, não se deve introduzir no plantel animais de condição sanitária desconhecida, sendo imprescindível a exigência de testes de diagnóstico para tal.

Sinais clínicos

Nos bovinos e bubalinos, a principal manifestação clínica é o aborto, que ocorre no terço final de gestação devido ao desenvolvimento de placentite necrótica, sendo comum a retenção de placenta. Com o desenvolvimento de imunidade celular após o primeiro aborto, há uma diminuição de lesões de placentárias nas gestações subsequentes. Com isso, o aborto torna-se pouco frequente, aparecendo outras manifestações da doença, como o nascimento de bezerros fracos ou mortos. Bovinos machos adultos podem desenvolver orquite uni ou bilateral e epididimite. A brucelose pode ser uma causa de infertilidade em ambos os sexos. Também pode ocorrer artrite nos membros.

Vacinas

No Brasil, as vacinas utilizadas são a B19 e a RB51, ambas recomendadas pela Organização Mundial de Saúde Animal – OIE. Por ser uma amostra lisa de Brucella abortus, a B19 induz a formação de anticorpos específicos contra o LPS liso e pode interferir no diagnóstico sorológico da brucelose. A persistência desses anticorpos está relacionada com a idade de vacinação. Nas fêmeas vacinadas com idade superior a 8 meses, há grande probabilidade de produção de anticorpos que perdurem e interfiram no diagnóstico da doença após os 24 meses de idade. Quando a vacinação ocorre até os 8 meses de idade, há redução de anticorpos rapidamente, não havendo interferência no resultado da testagem de fêmeas acima de 24 meses de idade.

A vacina B19 é a recomendada para a vacinação de fêmeas bovinas e bubalinas da idade de 3 a 8 meses de idade, podendo ser substituída pela vacina RB51, na espécie bovina. A vacina RB51 é elaborada com uma amostra de Brucella abortus rugosa atenuada, e por isso não induz a formação de anticorpos anti-LPS liso, não interferindo no diagnóstico sorológico da doença.

Risco à saúde pública

A brucelose é uma zoonose e representa risco à saúde pública principalmente pela ingestão de leite cru e seus derivados não submetidos ao tratamento térmico. A carne crua com restos de tecido linfático e o sangue de animais infectados podem conter bactérias viáveis.

A brucelose possui caráter ocupacional envolvendo tratadores, magarefes, médicos veterinários, entre outros, devido à manipulação de restos placentários, fluidos fetais e carcaças de animais, expondo-se ao risco de infecção quando esses materiais provêm de animais infectados. O manuseio das vacinas B19 e RB51, que são patogênicas para o homem, também põe em risco médicos veterinários e seus vacinadores.

Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

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