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Vila Maria FM

A falência do SVB nos EUA e os reflexos para o Brasil e o mundo

15/03/2023 Rádio Vila Maria FM Notícias

O mundo foi pego de surpresa com a notícia da falência do Silicon Valley Bank. O SVB era um dos principais bancos voltados ao financiamento de startups nos EUA. Fundado em 1983, era um banco gigante. Sua queda impressionante e aparentemente rápida é a maior paralisação de um banco dos EUA desde o Washington Mutual em 2008.

Vamos entender um pouco essa situação com a Economista, Professora da UPF, Cleide Fátima Moretto.

1-) A imprensa internacional fala que a principal motivação para isso foi as altas taxas de juros. Gostaria que você explicasse essa situação, como acontece na prática? O que se sabe sobre isso?

 

R: Em primeiro lugar, é preciso ter presente que a economia americana tem um importante papel na economia global e, portanto, o que ocorre lá tem reflexos para o mercado produtivo e financeiro em grande escala. A questão é que, tradicionalmente, a economia americana apresenta taxas de inflação e taxas de juro baixas. Tecnicamente, se a taxa de inflação está baixa não há indicação para elevação da taxa de juros, de forma a retirar moeda de circulação. Todavia, no período pós-pandemia, muitas economias, como a brasileira, enfrentam uma elevação nas taxas de inflação, o que implicou no aumento das taxas de juros praticadas pelo setor financeiro.

Acontece que a taxa de juros é a remuneração dos recursos que são aplicados no mercado financeiro. E o volume das aplicações são guiados pela expectativa de retorno do valor aplicado, o que pressupõe confiança nas instituições que compõe o mercado de crédito. A crise dos anos 2008 fizeram com que as agências reguladoras implementassem regras muito mais rígidas para que os bancos atuassem. A confiança, somada às taxas de juros mais elevadas, elevou o nível das aplicações bancárias. É possível que tenha ocorrido falha em detectar os sinais de alerta das operações do banco.

2-) Isso pode ser considerada uma crise bancária? Algo que poderia ocorrer com outros bancos?

 

R: Essa crise de confiança pode levar os aplicadores que possuem aplicações em bancos menores e regionais a transferirem seus valores para bancos maiores nos EUA. As autoridades monetárias americanas estão avaliando a situação e prevendo ações para que o efeito não seja propagado para outros bancos. Desde a grande crise de 2008 as autoridades monetárias americanas implementam ações para dar credibilidade e segurança aos aplicadores.

3-) Quais as consequências disso para os EUA e para os clientes do SVB?

R: O Silicon Valley Bank tem uma história de crescimento a partir de sua proximidade com as Startups americanas, no mercado de tecnologia e no contexto de expansão dos ativos, atraiu um volume significativo de aplicadores. Uma crise de confiança no banco fez com que ocorresse uma rápida movimentação dos aplicadores, resgatando suas aplicações, comprometendo a capacidade operacional do Banco. Para os grandes aplicadores, que não estavam garantidos pelo seguro (limite de U$ 250 mil), a quebra do banco implica e enormes perdas e deverão entrar na fila de credores de massa falida.

4-) Este colapso, na sua opinião, é um alerta para os clientes de agências bancárias refletirem sobre: onde estou deixando o meu dinheiro e para não deixar tudo em um só lugar?

 

R: O SVB tinha como característica uma carteira de clientes de alto risco e um direcionamento recente a títulos de longo prazo. O impacto da crise de confiança para esse tipo de cliente foi quase que instantâneo. É possível que os aplicadores, em geral, revejam as suas aplicações. Temos, em contrapartida, um Fundo Garantidor que protege os menores aplicadores. É possível que outros ativos sejam mais demandados pela crise de confiança.

5-) Quais os reflexos disso para a economia global? O Brasil será afetado? E o que muitos estão se perguntando: isso pode acontecer no Brasil (falência de grandes bancos)?

R: Em nível de economia global, a situação acende sinal de alerta e causa movimentações nos mercados financeiros, sempre em função da quebra de confiança e aumento da incerteza. Bancos maiores estão sujeitos a um controle maior. De acordo com os principais analistas de mercado, os bancos brasileiros não estão diretamente expostos à crise do SVB, sobretudo porque apresentam indicadores de balanço saudáveis e a expectativa é de manutenção ou baixa na Selic, que hoje está em 13,75%. Uma vantagem do nosso mercado financeiro é que estamos habituados a atuar com taxas de juros mais elevadas.

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