Vila Maria FM

A nevasca de 1965

30/06/2021 Rádio Vila Maria FM Notícias

Na terça-feira, 29 de junho de 2021, foi o dia mais frio do ano até o momento. Vila Maria registrou mínima de 3 graus e a temperatura não subiu muito ao longo do dia porque o sol não apareceu. O vento fazia com que a sensação térmica fosse bem menor. Durante a noite teve registro de chuva congelada. Foi o dia mais frio em Passo Fundo, dos últimos 18 anos. Em Cabará do Sul a sensação térmica chegou a 22,8º negativos. As estações meteorológicas indicavam possibilidade de neve em cidades do Rio Grande do Sul.

E quando falamos em neve logo vem a lembrança da última nevasca que caiu em Vila Maria e região. Isso já faz quase 56 anos. Foi no dia 20 de agosto e quem presenciou não esquece. Em alguns lugares, as camadas eram superiores a um metro de espessura, cobrindo de branco toda a vegetação, terra, casas e ruas.

Muitas pessoas que presenciaram o acontecimento ficaram com medo, entocadas nas suas residências, enquanto outros aproveitaram o fato inédito para brincarem, fazendo bonecos de neve. Alguns tiveram receio que a casa desabasse e passaram a tirar os flocos de neve dos telhados com enxadas, para evitar a queda do telhado, devido ao peso que se acumulou, tiravam também ao redor da casa, de medo que pudesse cobrir a residência e que não pudessem sair, pois não sabiam quando iria parar de cair a neve.

A maior precipitação de neve do século no Estado do Rio Grande do Sul havia ocorrido em 1942. Na região serrana foi mais intenso. Quase que todas as fotografias existentes da época são em preto e branco. O processo de revelação e cópia em cor só era realizado em grandes centros.

Confira a história contada pela professora e pesquisadora, Clélia Bortolini:

“O amanhecer do dia 20 de agosto de 1965 foi, no mínimo, incomum em Marau. Sem nenhum aviso, uma colcha branco-leitosa havia revestido lentamente a terra durante a noite.

Muitos lembram que, de raro em raro, estranhos ruídos na cobertura das casas e estalos abafados de galhos se infiltraram em seus sonhos. Porém, o silêncio adensado e o frio haviam entorpecido a cidade.

O despertar, até dos madrugadores, retardou. Quando, por fim, abriam as portas das casas, receberam o impacto luminoso da paisagem irreconhecível. Um balbucio de espanto e, logo, o grito de surpresa: “Neve, neve!”.

Rostinhos sonolentos assomavam à janela e eram surpreendidos pela claridade viva da neve. Inebriados e enrolados em mantas, corriam ao encontro daquele algodão macio e irresistível.

Idosos com olhos semicerrados espiavam a novidade.

Cães, com elegância incomum, testavam o chão e rolavam-se eufóricos.

Mas foram os jovens que se apossaram do brilho daquele dia. Entre risos e brincadeiras, corriam por todo o lado, querendo identificar os lugares que a neve modificara.

O inusitado teve o efeito de estreitar as relações entre as pessoas, que comungavam a surpresa e a alegria, transformando o frio da natureza em calor humano.

As consequências ruins se apresentaram depois – telhados ruíram, o trabalho e a produção ficaram paralisados, as escolas fechadas, vias intransitáveis, luz interrompida e telefones mudos. Nada, porém, que não pudesse ser recuperado com tempo e boa vontade.

Aquela era uma geração que ainda não tinha vivido a experiência de uma grande nevasca, capaz de alcançar até meio metro de acumulação. As análises do tempo não chegavam às camadas populares e a maioria desconhecia que a grande precipitação tinha como causa o resfriamento excepcional do Oceano Pacífico, o maior oceano da terra, com consequências de frio extremo e estiagem no Sul e chuvas no Nordeste.

Essa situação tinha o nome La Niña. Por outro lado, quando as águas do pacífico esquentam excessivamente tornam-se responsáveis por grandes chuvas no Sul e secas no Nordeste – denominadas de El Niño”.

As fotos mostram como foi a nevasca em 1965, em Vila Maria.

Fotos enviadas por Odolir Parizzi

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